Biophilica faz alternativa ao couro a partir de folhas

A start-up britânica está a lançar o seu primeiro produto. O Treekind é uma alternativa ao couro animal feito a partir de materiais provenientes de contextos agrícolas e urbanos e, além de ser vegano, é também biodegradável no solo e na água.

[©Biophilica]

Desenvolvido em laboratório, o Treekind mistura lignocelulose de fontes agrícolas e urbanas para formar um material semelhante ao couro, flexível, que é reciclável e não usa poliuretano nem PVC. Começa com uma pasta 100% biológica feita com folhas caídas de árvore, que é depois moldada em folhas planas como as de papel, que são secas através de um processo que tem semelhanças com o que é feito com as alternativas sintéticas ao couro, como as produzidas com PVC, mas sem qualquer plástico.

Graças à sua formulação, que usa um ligante natural, o Treekind decompõe-se no solo e na água num ano com a ajuda de micróbios.

A Biophilica fez duas análises de ciclo de vida do produto, que demonstraram, segundo Mira Nameth, CEO e cofundadora da Biophilica, que tem pegadas de carbono e de utilização de água inferiores ao do couro bovino.

«Em termos ambientais, o couro é um dos têxteis mais destrutivos do mundo e um mercado de 400 mil milhões de libras. O mundo precisa de uma alternativa que não tenha plástico e possa ser descartada de forma responsável, sem comprometer a qualidade ou a performance», acredita Mira Nameth. «Numa indústria onde as práticas circulares e a capacidade massiva de reciclagem têxtil ainda estão tão longe, as soluções de materiais compostáveis com uma pegada de carbono mínima como o Treekind são uma resposta mais imediata e escalável», afirmou ao Sourcing Journal.

Mira Nameth [©Biophilica-Beinn Muir]
O Treekind chegou ao mercado em 2023, mas o percurso começou muito antes, como explicou, ao Just Style, a CEO, recentemente galardoada com o prémio da iniciativa Forces for Good da Cartier Women de 2024. Após o nascimento da filha em 2013, «quis trabalhar dentro da sustentabilidade. Foi uma jornada um pouco tortuosa, que me levou a começar a trabalhar no que se tornaria o Treekind», indicou.

A start-up conseguiu reunir 1,2 milhões de euros junto de investidores como a Rhapsody Venture Partners e a Fashion for Good e o material está atualmente a ser testado a grande escala no Reino Unido e na Europa para responder à crescente procura. A Biophilica está ainda em testes pré-comerciais para um adesivo 100% de base bio para o Treekind, mas que também poderá ser usado em papel, cartão e couro convencional.

Quanto ao Treekind, Mira Nameth antecipa que possa ser usado em calçado, vestuário, acessórios e malas de luxo, entre outras aplicações. A cofundadora prevê ainda que possa substituir o couro e as alternativas com plásticos a uma escala projetada de mais de 500 mil metros por ano em três anos.