BHV põe fim à parceria com a Shein

A cadeia francesa de grandes armazéns vai terminar a sua ligação com a retalhista de ultra fast fashion, apenas sete meses depois da abertura de uma loja permanente da Shein no histórico espaço comercial parisiense.

A decisão surge no âmbito da venda do BHV pela Société des Grands Magasins (SGM), que opera os grandes armazéns desde 2023, à atual equipa de gestão liderada por Karl-Stéphane Cottendin. Segundo um porta-voz citado pela Reuters, Cottendin considerou a parceria com a Shein um «erro» e confirmou que esta será encerrada.

A chegada da gigante chinesa do comércio eletrónico ao BHV, em novembro do ano passado, provocou forte contestação em França. A Shein foi alvo de críticas devido ao seu modelo de negócio assente em preços extremamente baixos e às acusações relacionadas com a comercialização de produtos ilegais na sua plataforma.

A inauguração do espaço físico coincidiu também com uma tentativa do governo francês de suspender a atividade da plataforma no país, uma decisão que acabou por ser posteriormente revertida por um tribunal de Paris.

Além da oposição institucional e política, a parceria gerou desconforto entre várias marcas presentes no BHV. A Reuters refere que diversas insígnias abandonaram os grandes armazéns em protesto contra a presença da Shein, numa altura em que a SGM já enfrentava dificuldades financeiras e atrasos nos pagamentos a fornecedores.

O próprio conceito da loja não correspondeu às expectativas de muitos consumidores fiéis da plataforma. Vários clientes que aguardaram na fila para a abertura manifestaram desilusão com a oferta disponível, apontando preços significativamente mais elevados do que aqueles praticados online pela Shein, conhecida por comercializar vestidos a menos de cinco euros e jeans a valores abaixo dos 10 euros.

Contactada pela Reuters, a Shein afirmou que a colaboração com a SGM tinha sido concebida desde o início como uma iniciativa temporária. A empresa declarou ainda respeitar a decisão do BHV de encerrar a parceria, embora considere «lamentável» que os clientes tenham tido de visitar a loja durante um período marcado por obras de renovação no edifício.