Benetton apresenta aplicações alternativas para vestuário em fim de vida

Batizado Telare la Materia, o projeto desenvolvido na Fabrica, centro de pesquisa de comunicação do Grupo Benetton, propõe aplicações diferentes, da agricultura à construção, para responder ao impacto da indústria da moda no meio ambiente.

Davide Balda [©Gerdastudio]

O projeto, que será apresentado de 15 a 21 de abril, foi desenvolvido pelo jovem designer Davide Balda no âmbito da sétima edição do Alcova, um projeto de curadoria nascido em 2018 que, durante o Milan Fuorisalone, reúne marcas independentes, galerias e designers emergentes que investigam o futuro do viver e do fazer.

«O objetivo consiste em propor uma série de aplicações para abordar o impacto da indústria têxtil no meio ambiente e incentivar a eliminação de peças de vestuário descartadas no local onde são produzidos», indica o Grupo Benetton em comunicado.

O vestuário é proveniente da Green B, uma linha da United Colors of Benetton com características mais sustentáveis. Através de um processo de moagem manual, esses produtos são reduzidos a fibras têxteis sintéticas e orgânicas e tornam-se matérias-primas que são depois reutilizadas noutras aplicações.

Telare la Materia, que será apresentado na Villa Bagatti Valsecchi, propõe duas utilizações diferentes: tecnossolo e materiais de construção. No primeiro, a fibra têxtil é usada como substrato vegetal e fertilizante para o crescimento das plantas. Já na construção, o tecnossolo é combinado com restos de argila do rio Sile (na área de Treviso) para criar módulos e elementos arquitetónicos vernaculares, seguindo uma abordagem circular.

[©Gerdastudio]
«Inspirada no conceito do Simbioceno, uma nova era em que os seres humanos encontram formas mais sustentáveis de interagir com outros seres vivos e com o meio ambiente, Telare la Materia sugere aplicações para incentivar a eliminação de roupas descartadas que hoje são embaladas e enviadas, por exemplo, para África e América do Sul», explica o Grupo Benetton. «Essas embalagens, dão pelo nome suaíli de mitumba e 50% são compostas de roupas em mau estado ou feitas de tecidos de baixa qualidade. Trata-se de resíduos recolhidos em lixeiras ilegais ao ar livre e, muitas vezes, queimados, que libertam produtos químicos para o solo e para o ar», acrescenta

Artista-residente na Fabrica atualmente, Davide Balda é um designer multidisciplinar interessado na investigação de novos materiais e processos produtivos sustentáveis. Natural de Génova, formou-se em Design de Produto pelo IED em Turim e tirou um mestrado em Design, Criatividade e Práticas Sociais pela Academia Unidee da Fondazione Pistoletto em Biella. Davide identifica-se como um “arqueodesigner” que pesquisa e estuda tecno-fósseis, ou fósseis do futuro. «Trata-se de resíduos naturais e artificiais produzidos pelas atividades humanas, úteis para investigar o passado, reinterpretar a história e criar materiais ou artefactos», resume o comunicado.

A Fabrica, que este ano celebra o seu 30.º aniversário, é um centro de pesquisa inspirado no renascimento e no aprender a fazer. A cada semestre, cerca de 20 talentos criativos, com idade até 25 anos, são selecionados em todo o mundo para fazerem experimentação à volta de um tema específico, através de uma contaminação constante entre disciplinas como fotografia, design, cinema, escrita, música/som, artes plásticas e media digital.