Beirute quer ser capital do luxo

Destronada pelo Dubai ao longo dos anos, Beirute quer voltar a ser um destino privilegiado para o luxo no Médio Oriente, com a implantação dos grandes nomes na cidade, como Dior ou Louis Vuitton, e os “souks” (bairros de compras) modernos que oferecem a comodidade e o luxo das compras. «O luxo precisa, acima de tudo, de espaço», afirmou Guillaume Boudisseua, da empresa de aconselhamento imobiliário Ramco em Beirute, à AFP. O centro da cidade vai inaugurar em breve o que era, há 20 anos, um campo de batalha em plena guerra civil: os seus antigos souks populares, reconstruídos pelo gigante do imobiliário Solidere, terão uma versão mais sofisticada, num projecto que ultrapassa os 100 milhões de dólares (67,03 milhões de euros). Ao lado das marcas de grande difusão, estes souks – 200 projectos de lojas, das quais 49 de jóias –, contarão com marcas como Yves Saint Laurent, Chloé, Burberry ou Vivienne Westwood. Estes juntam-se às ruas Foch e Allenby, que acolherão igualmente novas marcas de luxo. «O centro da cidade é passagem obrigatória para o luxo no Líbano», referiu Boudisseau, em referência às marcas já implantadas como a Armani, Berluti, às casas de conhecidos estilistas libaneses, como Elie Saab e Zuhair Murad, e aos apartamentos de mais de 1 milhão de dólares em frente ao mar, onde se localizam os hotéis mais caros do Líbano. «Beirute vai tornar-se um destino de eleição quando recuperar o seu lugar daqui a dois anos», defendeu Tony Salame, CEO da Aïshti, o grupo libanês que mais contratos tem de franchising no luxo. Segundo Salame, o mercado de Beirute aumenta cerca de 15% anualmente, com clientes que não hesitam em gastar até 200 mil dólares por estação. Baptizada “Paris do Médio Oriente” nos anos 50 e 60, Beirute impôs-se de novo como a montra do luxo nos anos 90, apesar do marasmo económico. Mas com o assassinato do dirigente Rafic Harir em 2005, que fez com que o país mergulhasse num período de instabilidade, o Dubai tomou o seu lugar graças a investimentos que fizeram explodir o número de lojas de luxo. Actualmente, a crise mundial que atingiu em plena força os países do Golfo poderá mudar as coisas. «Temos uma oportunidade de reconquistar o primeiro lugar porque o Dubai sofreu muito, mesmo que se mantenha no número um em termos de volume e de poder de compra», sublinhou Salame. «A sua clientela, milionários russos que faziam entre 60% e 65% do seu volume de negócios, desapareceu», explicou. Mas, para Boudisseau, atingir este objectivo exige estabilidade no país para atrair os investimentos e desenvolver um mercado capaz de rivalizar com o do Dubai. E a capital libanesa tem uma vantagem, a imagem. «Para os árabes, a nossa capital mantém-se como a janela para tudo o que é interessante», refere Salame, cujo grupo investiu 15 milhões de dólares em cerca de 15 novas lojas. As lojas de luxo situam-se em ruas elegantes com uma arquitectura que data do mandato francês (1923-1943). «é muito moderna e íntima ao mesmo tempo», revelou Wafa al Ayouti, uma rica turista egípcia, saindo de uma loja de luxo. «é como Paris!», intervém a sua mãe, com os braços cheios de sacos. Para Fadwa, dos Emiratos árabes Unidos, os souks nas arcadas em madeira são «o Novo Dubai, mais bonito».