Bambumania

Desde hÁ dois anos, a “bambumania”, surfando sobre a onda da bio-atitude, fomenta a concorrência. Um pouco em demasia para a DGCCRF (Direcção-Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão das Fraudes), a congénere francesa da ASAE, que tenta hoje clarificar a confusão que reina à volta dos artigos têxteis anunciados “em bambu” que pululam no mercado. E que não hesitarÁ a punir severamente, tal como afirma, em caso de fraude. Porque os produtos têxteis à base de bambu não são sempre tão bio como parecem. Com efeito, grande parte destes produtos é obtida a partir de fibras de celulose regenerada do bambu, transformadas pelos processos “viscose” (mais corrente) ou “liocel”. A fibra obtida é, por consequência, artificial, produzida por processos químicos», explica Karine Sfar da UIT (Union des Industries Textiles). As fibras naturais de bambu, resultantes do líber ou de partes secas e cortadas da planta são ainda raras no mercado». Uma vez tecido, o bambu natural oferece um aspecto semelhante ao linho. A viscose de bambu é mais macia, flexível e sedosa (à semelhança da viscose tradicional obtida a partir da polpa da madeira). é esta a fibra mais utilizada em artigos têxteis, sejam eles vestuÁrio ou têxteis-lar, que reivindicam a presença de bambu na sua composição. O tema não é simples: para estar autorizado a colocar na etiqueta de composição de um produto o bambu, é necessÁrio provar que a matéria-prima é realmente o bambu ou que ela resulta do bambu. Mas, se se trata de viscose de bambu, é impossível provÁ-lo cientificamente», tal como refere a DGCCRF. Quando a fibra é transformada por um processo de “viscose”, é impossível saber se a fibra integrada no produto acabado foi obtida a partir do bambu ou de uma outra Árvore. Deste modo, a referência correcta é, simplesmente, viscose e não bambu ou viscose de bambu. Sem provas tangíveis, o termo bambu não deverÁ constar na etiqueta. Em França, o infractor corre o risco, no melhor dos casos, de ser obrigado a modificar a etiqueta e, no pior, de uma pena de dois anos de cadeia e uma multa de 37.500 euros. O nosso objectivo é esclarecer o mercado, para bem de todos», refere a DGCCRF. Deste modo, o organismo aconselha a realçar antes os argumentos de natureza subjectiva como o conforto, o bem-estar, a maciez ou a leveza, sobre os quais não estÁ habilitado a pronunciar-se. Atenção, todavia, se reivindicar as propriedades anti-bacterianas do bambu», alerta, por seu lado, Karine Sfar. é necessÁrio demonstrÁ-las através de testes, fundamentados nomeadamente nas normas em vigor, porque isto não é inerente a todas as viscoses de bambu. A planta de bambu contém efectivamente Ácido de sílicio, que protege das agressões bacterianas. No entanto, durante o processo de fabricação, os diferentes solventes usados destroem frequentemente este Ácido».