Balmain x H&M lança o caos

O lançamento da coleção comum entre a casa francesa e a marca sueca gerou o caos, à medida que a impaciência das multidões em espera aumentava com a aproximação do tão aguardado momento.

Quanto tempo estaria disposto a esperar numa fila, à mercê das intempéries de novembro, para poder ter aquele casaco que tanto deseja? Cinco horas? Uma noite? Dois dias completos, imediatamente após um voo intercontinental? Ou talvez não esteja, de todo, disposto a esperar.

Foi precisamente este último grupo, aquele que não queria aguardar mais, que causou o caos, de manhã cedo, na Regent Street, em Londres, na quinta-feira passada, onde se reuniram 3.000 fãs de moda desesperados e exaustos, apelando a que os deixassem entrar na loja da H&M. No seu interior, as prateleiras exibiam as peças da colaboração da Balmain com a H&M, uma coleção idealizada pelo diretor criativo da casa francesa, Olivier Rousteing.

Sendo uma reconhecida celebridade dos media sociais, com 1,6 milhões de seguidores no Instagram, Rousteing instigou o frenesim online nas semanas que antecederam o lançamento da coleção, recorrendo a celebridades como Rihanna, Kylie Jenner e Gigi Hadid. A etiqueta #Balmania, publicada por designer no Twitter, foi criada para que os utilizadores da plataforma pudessem seguir as atualizações.

A coleção, cujas peças refletem o traço artístico do criador de moda francês, deveria esgotar em escassos minutos, motivo pelo qual centenas de consumidores aceitaram passar longas horas em fila. Pelo menos 500 dormiram no exterior da loja na noite anterior ao lançamento.

«Viajei desde a Bulgária, estou aqui desde as nove da noite, e quero apenas uma peça, um casaco», revelou, ao The New York Times, Darina Stefanova, exposta ao frio da manhã, a par de outros compradores esperançosos, muitos dos quais trouxeram almofadas e cobertores. Assim como os restantes, esperava a atribuição de uma pulseira colorida, que conferiria 10 minutos para realizar as compras.

«Mas com a loucura que se começa a manifestar, não estou certa de que realizarei o meu desejo. É culpa destes homens», sussurrou Stefanova, apontando para um grupo de homens encapuzados, de 20 e poucos anos, que se acotovelavam na tentativa de alcançar a entrada da loja. «As coisas estão a começar a ficar perigosas».

Darina Stefanova tinha razão. Às oito da manhã, cerca de uma hora antes da abertura das portas, algumas dezenas de homens aproximaram-se da frente da fila, desorientando a segurança e inquietando a multidão que aguardava.

«São gangs profissionais e esta é uma estratégia pré-planeada», afirmou Ryan Fong, um estudante da City University London, natural da China, que explicou ter sido excluído da fila quando o caos se gerou. «Eu já vi isto acontecer antes, mas nunca esteve tão mau», acrescentou. «Eles entram primeiro, compram todo o produto e, em seguida, vendem-no por cinco vezes o preço original no eBay», explicou Fong. «São homens assustadores e não quero atravessar-me no seu caminho».

Os nervos estavam à flor da pele, tendo-se iniciado uma troca de insultos quando os membros do staff criaram duas filas, uma para os homens e outra para as mulheres. As lágrimas corriam por alguns dos rostos daqueles que esperavam, para espanto e desdém ocasional de transeuntes perplexos. Os homens encapuzados recusavam-se a sair, empurrando os que se alinhavam na fila, até à chegada da polícia.

As nove da manhã chegaram e passaram, e as portas permaneciam firmemente fechadas. As pessoas recorriam, então, aos smartphones na tentativa de acederem ao website da H&M, mas sem sucesso.

«É ultrajante, isto foi tão mal planeado que é absolutamente revoltante», criticava uma mulher, sentada sobre uma mala vazia, acrescentando ter tirado o dia de folga para fazer compras. Um membro da equipa da H&M tentou apaziguá-la com uma amostra de perfume, enfatizando que, à parte a segurança, foram impossibilitados de abrir as portas dada a multidão que se encontravam no exterior.

A situação poderia ter sido remediada caso se tivessem deslocado até à loja vizinha, em Oxford Circus, onde fãs encantados saíam já triunfalmente carregando os sacos das compras. Uma senhora revelou ter pago 50 libras (70 euros) a alguém que esperasse na vez dela na fila. «Isso foi um grande negócio», afirmou, publicando nas redes sociais a sua conquista antes de desaparecer por entre a multidão.

Situações semelhantes foram relatadas no Twitter e Instagram na loja da H&M de Oxford Street, e outras cidades como Sydney e Manchester. Em Paris, a coleção esgotou em menos de três horas e alguns dos itens artigos estavam já disponíveis para revenda online.

Apesar dos escassos metros que os separavam da loja de Oxford Circus, alguns clientes criaram um espaço de transações em tempo real, com os artigos recém-adquiridos a serem entregues em troca de maços de notas de 50 libras.

Muitos esconderam os seus rostos e recusaram-se a dar os nomes, mas asseguraram poder vender as peças adquiridas por duas a três vezes mais o preço pago em loja. «Eu não devia estar aqui», reconheceu uma mulher, soltando uma risada nervosa. Tinha acabado de gastar 900 libras em quatro artigos.

Entre um grupo de estudantes de moda em Oxford Circus, a coleção cumpriu algumas expectativas, mas defraudou outras. «Sinto-me um pouco mal, havia tão poucos tamanhos e muito do que queria não estava disponível em stock», admitiu Tumisola Ladega, enquanto ao seu lado dois amigos aparentavam estar encantados. «Consegui tudo o que queria, e não poderia estar mais feliz», disse Chloe Yates. «Não dormi, mas valeu a pena e tenho tudo o que tinha pré-selecionado online. Nunca fiz isto antes, mas acredito realmente que a Balmain é a marca da nossa geração. Olivier criou um exército de fãs incrível e uma sofisticação sexy pela qual as pessoas são loucas. Eu faria tudo de novo», concluiu.