Balenciaga é estrela da Gucci

A Balenciaga é a marca do Gucci Group que regista maiores taxas de crescimento, embora o responsável pelo grupo, cujas marcas incluem a Gucci e Stella McCartney, não acredite que melhores tempos estejam para breve. «Não estou mais optimista do que estava há um ano atrás», revelou Robert Polet, CEO do Gucci Group, à margem do Festival de Cinema de Veneza, onde foi entregue o prémio Gucci Group Award, que presta tributo à contribuição de um artista para a rodagem de um filme. «Vejo o mundo preparado para tudo. Não queremos perder a reviravolta quando esta chegar, mas também não queremos aumentar muito os inventários», prosseguiu. Polet também afirmou não poder prever se o Natal de 2009 irá ser melhor do que o do ano passado e recusou-se a avançar dados sobre o negócio do grupo no Verão. O Gucci Group, o terceiro maior grupo do luxo atrás do LVMH e do Richemont em termos de vendas, faz parte do grupo francês PPR, que está a prosseguir um plano combativo centrado na redução de custos e na preservação de liquidez. A Balenciaga, que se tornou lucrativa em 2005, elevou-se ao estatuto de principal marca estratégica dentro do Gucci Group há dois anos juntamente com a Gucci, a Bottega Veneta e a Yves Saint Laurent, o que significa que mais recursos lhe foram atribuídos. «A Balenciaga é a marca em mais rápido crescimento no grupo e está a cumprir todos os objectivos estabelecidos há dois anos atrás», acrescentou Polet. Uma fonte próxima do Gucci Group referiu que a Balenciaga registou um crescimento das vendas em «termos de dois dígitos» nos últimos três anos em termos comparáveis e totais, dados que Polet se recusa a comentar. Adquirida pelo Gucci Group em 2001, a Balenciaga tornou-se na favorita dos fashionistas sob a liderança criativa de Nicolas Guesquière, designer da marca desde 1997. Embora a Balenciaga tenha começado a partir de uma base mais baixa do que outras marcas, a sua performance faz parte do Panteão dos produtos de luxo, beneficiando de um crescimento relativamente à prova de crise como a Louis Vuitton e a Hermès. A maior parte das vendas de produtos de luxo colapsaram no ano passado, com a indústria a sofrer a quebra de consumo mais profunda dos últimos tempos. A empresa de consultoria Bain&Co estima que as vendas de artigos de luxo em todo o mundo tenham caído entre 15% e 20% no primeiro semestre e prevê que no total do ano possam cair cerca de 10% a taxas de câmbio constantes, graças à melhoria do negócio no segundo semestre. O “apertar do cinto” dos consumidores levou a uma quebra acentuada em diversas casas de moda de gama alta, incluindo a Christian Lacroix em França, a Escada na Alemanha e a Mariella Burani em Itália. O colapso dos mercados financeiros mundiais afectou mesmo os super-ricos, colocando um fim abrupto à explosão de consumo da última década, durante a qual a indústria duplicou em tamanho para atingir os cerca de 170 mil milhões de euros em 2008. «Creio que o que passámos no último ano e meio foi um reequilíbrio, o regresso a um período normal Os gastos estavam acima do possível», afirmou Polet, revelando ainda que o Gucci Group cortou no orçamento de publicidade este ano e diminuiu as despesas em 25%. «Em Setembro, mudamos de um ambiente em rápido crescimento para um ambiente sem crescimento ou até com uma retracção. Por isso, agimos rapidamente para nos centrarmos na liquidez e na maximização do nosso crescimento», explicou Polet. Desde Setembro, o grupo congelou salários, não contratou mais pessoas e diminuiu a sua cadeia de aprovisionamento. Cerca de 70% das vendas da marca Gucci são provenientes das suas lojas próprias e 30% vem de grossistas, enquanto que as vendas da Bottega Veneta dividem-se entre 80% das lojas próprias e 20% de grossistas. «Mudar esse rácio não é um objectivo propriamente dito», concluiu Robert Polet.