Bactérias assumem papel principal

Bactérias geneticamente modificadas para desempenhar funções específicas ou produzir determinados compostos vão revolucionar diferentes indústrias, incluindo a têxtil, com soluções económicas e sustentáveis.

[©Pixabay-Gerd Altmann]

O estudo “Bacteria: The Next Big Disruptor?”, da empresa de análise de mercado GlobalData, destaca inovações e patentes onde bactérias criadas em laboratório estão a transformar sectores como a agricultura, a construção, a energia, a saúde, a indústria manufatureira, a mineração e os têxteis.

«Os avanços na biologia sintética e na engenharia genética posicionam as bactérias como catalisadoras na revolução da sustentabilidade. As tecnologias bacterianas podem reduzir significativamente as emissões e gerar economia de custos, à medida que as indústrias dão prioridade à sustentabilidade», afirma Kiran Raj, practice head de tecnologia disruptiva na GlobalData.

A empresa descreve algumas das inovações que estão já no mercado nos diferentes sectores, nomeadamente o trabalho da Next-Gen Leather e da Colorifix – a tecnologia desta última é já usada por empresas portuguesas. A Eutrobac e a Vale, por exemplo, visam aprimorar o tratamento de águas residuais, a Air Liquide está a explorar soluções de gás renovável e a BASF está a fazer espumas biodegradáveis. Já a Mango Materials, sediada na Califórnia, está a converter metano em polímeros biodegradáveis, com o apoio do Departamento de Energia dos EUA, constituindo uma alternativa aos plásticos de origem petroquímica.

Em áreas como a agricultura, está a ser estudada a criação de bactérias alimentadas por bactérias para fornecer energia duradoura e sem manutenção, com a start-up britânica Bactery a usar células de combustível microbianas do solo (SMFCs) para desenvolver essas baterias, com lançamento comercial esperado para 2026.

Na construção, a Biozeroc, sediada em Cambridge, está a desenvolver um bio-cimento que imita a formação de corais, usando significativamente menos água e energia e reduzindo potencialmente as emissões em até 85%.

«A integração de tecnologias microbianas em todas essas indústrias é crucial para o seu futuro, mas o sucesso depende de pesquisa contínua, parcerias estratégicas e da escalabilidade dessas inovações para atender às exigências globais», conclui Kiran Raj.