B2B: Back to Basics

Mas se olharmos para as duas últimas grandes crises mundiais verificamos que elas surgiram por se pôr em causa exactamente aquilo que sempre soubemos, ou que deveríamos saber. Activos, resultados e valores virtuais, inexistentes aquando das análises, mas suficientemente promissores no futuro para despertar a ganância das gigantes máquinas financeiras que gerem o dinheiro de todos nós foram, em 2001 como agora, os detonadores da explosão de duas bolhas especulativas que até aí se tinham formado. A crise actual é muito parecida com a de 2001. Os factores causadores são similares, com a relevante agravante que, nessa altura, os EUA tinham um superavite nas suas contas deixado por Clinton e a liberalização do comércio mundial ainda não tinha inundado os mercados mundiais com a concorrência desleal oriental. Agora, quer o superavite, quer a produção, transferiram-se em bloco para Oriente. Se em 2001 “rebentou” a bolha da Internet e das novas tecnologias, arrastando a economia para uma curta recessão, agora foi a bolha imobiliária, alimentada por um mercado de crédito fácil e recheado de esquemas financeiros a “roçar” a indecência. Tudo virtual, sem lógica e sem sustentação em tudo o que aprendemos e no bom senso. Mas sendo as causas motivadas por activos virtuais, o problema, pelo contrário, é bastante real. Desiludam-se pois aqueles que continuam a pensar que estamos jogados à sorte de algo que ainda não compreendemos, sendo esse algo a reorganização automática e orgânica do mercado, ou um qualquer líder qual D. Sebastião que nos virá salvar. A resposta às crises, seja dos países, dos sectores ou das empresas, só se faz de uma maneira: garantindo que ganhamos mais do que gastamos, não só hoje como no futuro. Temos todos que fazer mais, melhor e, inevitavelmente, com menos. Na gestão dos países, ou na das empresas, chegou pois a hora de deixar cair o marketing e a comunicação sem substância. é necessário, mais do que nunca, apresentar factos e acima de tudo resultados. Temos pois que voltar às análises de base. O deve e o haver voltaram a assumir, nos tempos actuais, uma importância fundamental.