ATP defende alargamento do acordo UE-China

A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) emitiu um comunicado de imprensa onde se congratula com o crescimento abaixo do esperado, até Abril, das exportações chinesas nas categorias abrangidas pelo acordo UE-China, apelando ao alargamento deste acordo a outros produtos. «Embora haja necessidade de ler estes números com alguma cautela, pois existem tradicionalmente picos de importação de produtos têxteis na Europa que não são coincidentes com o primeiro quadrimestre do ano, podemos concluir mesmo assim que o acordo têxtil União Europeia-China era absolutamente indispensável e justificado para o controlo maciço das exportações daquele país», refere no comunicado Paulo Nunes de Almeida, presidente da ATP. Esta posição da associação surge na sequência da divulgação, pelo Centro de Estudos Têxteis Aplicados (Cenestap), de que os pedidos de licenciamento de importações nas 10 categorias têxteis e vestuário abrangidas pelo acordo UE-China, assinado em Junho passado (ver notícia no Portugal Têxtil), ficaram aquém do esperado de Janeiro a Abril (ver estudo no Portugal Têxtil). O comunicado da ATP refere ainda que «muitos compradores europeus que procuraram a China como fornecedor de têxteis e vestuário estão a regressar, uma vez que não se cumpriram as expectativas que tinham, nomeadamente ao nível da qualidade e do serviço. Infelizmente, o que se constata agora é que esses compradores europeus procuram novamente aprovisionar-se na Europa, mas exigindo aos produtores locais que forneçam com a qualidade e serviço europeus, mas com o preço da China, o que é manifestamente impossível». No entanto, as reservas da ATP justificam-se também pelo facto da moderação com que estão a crescer as exportações provenientes da China poder ter a ver com práticas de transhipment, suspeitando-se que «alguns produtores já estarão a utilizar outros países de origem das mercadorias para contornar a limitação de contingente que foi aplicada ao território chinês». «Sem querer realizar uma relação directa de causa-efeito não deixa de ser estranho que as exportações de têxteis e vestuário provenientes de Macau (que ainda tem estatuto de território autónomo para muitos efeitos) tenham aumentado mais de 40% nos primeiros três meses do ano, isto quando Macau em 2005 tinha perdido quota de mercado nos principais destinos de exportação, a União Europeia e os EUA, por força precisamente do crescimento exponencial das vendas da China», refere a ATP sobre as suspeitas de transhipment. Por outro lado, a ATP nota que as exportações da China em todos os produtos têxteis e vestuário não abrangidas pelas 10 categorias protegidas pelo acordo cresceram «de forma robusta, em alguns casos a três dígitos», de Janeiro a Abril. Para a associação, este facto demonstra a «imperiosa necessidade» de limitar as exportações de outras produtos, questão para a qual pretende alertar a Euratex e o Governo português.