Estarão os retalhistas do Ocidente tão obcecados com os direitos humanos das fábricas internacionais, que acabam por prejudicar as pessoas que deveriam proteger? «Muito provavelmente», afirmou Padjama Pai, directora do gabinete de consultoria em comércio ético sedeado em Bangalore, na Índia,durante o discurso inflamado que proferiu no 22º Congresso Mundial do Vestuário realizado pela Federação Internacional do Vestuário em Tessalónica, na Grécia, no passado mês de Junho. Duranteo referido congresso, Padjama Pai e o seu colega Siegfried Uetz criticaram os objectivos dos produtores e a sua forma de fazer negócio, afirmando que normalmente os códigos utilizados lesam precisamente as pessoas que deveriam defender. Não sem alguma controvérsia, Pai atacou a obsessão que o Ocidente tem com o trabalho infantil, afiançando que as proibições totais de trabalho infantil em alguns casos podem mesmo prejudicar as famílias mais pobres, tornando-as ainda mais pobres, nos países em via de desenvolvimento como, por exemplo, a Índia. «Frequentemente impedir crianças com mais de 14, 16 ou mesmo 18 anos de trabalharem em fábricas, cria uma enorme pressão económica sobre eles, levando-as a procurar trabalhos bem menos seguros, como é o caso de prostituição e mesmoo crime», declarou. Pai e Uetz acusaram ainda os compradores ocidentais de hipocrisia nas suas atitudes: «É simplesmente impossível querer pagar 1 dólar por um par de jeans à saída da fábrica e esperar que os trabalhadores recebam um salário decente». Uetz acrescentou ainda que «por mais que os auditores fabris investiguem, qualquer fábrica aceitando 1 dólar por jeans é obrigada a realizar horas extraordinárias forçadas e não remuneradas, que nenhuma auditoria poderá evitar». Para ambos, as condições de trabalho desumanas são resultado de compradores avaros, e não de procedimentos condescendentes. Segundo Pai e Uetz, existem fábricas na Índia com 80 ou ainda mais diferentes códigos de conduta (e frequentemente incompatíveis entre si) aos quais devem obedecer. Tisl incompatibilidades acabam por inflacionar os custos fabris, e dificultar ainda mais o cumprimento dos referidos códigos. Os compradores encorajam activamente as fábricas a efectuar economias de custos em todas as outras áreas de actividade fora das suas operações: o facto que eles incentivem tal redundância nos códigos dos direitos humanos é uma clara evidencia que os mesmos não são para serem seguidos mas para tranquilizar os activistas. Em justiça, a maior parte dos produtores sentir-se-ia legitimamente ofendido com estas afirmações, argumentando que as tentativas de produzir um código de conduta padrão (como o SA 8000) geraram resultados politicamente motivadores mas simplesmente impraticáveis em alguns países. As pausas café da conferência foram, todavia, palco de declarações ainda mais acesas, com vários delegados a adiantar exemplos de códigos de compradores que são perfeitamente contraditórios perante as exigências feitas aos fornecedores. Mas nenhum dos presentes foi capaz de dar uma resposta convincente sobre o motivo pelo qual os compradores continuavam a fazer tantas exigências. Insensatez… ou Estupidez? Em muitos casos, os códigos que são estabelecidos não são muito sensatos. Uetz citou alguns exemplos desses casos, tais como um grupo de compradores que exigiu peremptoriamente que os sinais indicadores de saída de emergência, que eram originalmente amarelos, fossem repintados num vermelho menos visível. Ou ainda o de um outro grupo que exigiu que os extintores de incêndio de uma empresa no Sul da Índia -com trabalhadores de altura média de










