As promessas de Hyères

Todos os anos, o consagrado Festival de Hyères promove os talentos emergentes da moda, fotografia e acessórios da cidade francesa para o mundo e, em 2018, a tradição voltou a cumprir-se com a modernidade da nova vaga.

Sendo creditado pelo alavancar da carreira de alguns dos nomes mais proeminentes da indústria, o Festival de Hyères cumpre 33 anos em 2018, sendo o mais antigo festival de moda do mundo. O portal de tendências WGSN revela as promessas da última edição, que terminou no passado domingo, 29 de abril.

Rushemy Botter e Lisi Herrebrugh

Rushemy Botter e Lisi Herrebrugh

A dupla criativa Rushemy Botter e Lisi Herrebrugh, da marca holandesa Botter, foi a premiada com o Première Vision Grand Award de 2018, recebendo ainda um prémio pecuniário no valor de 15.000 euros. Para o festival, a dupla refletiu sobre a sua herança caribenha e, como resultado, a «beleza e a luta» materializaram-se numa coleção vibrante e aclamada pelo júri. Coordenados ricos em estampados florais, logotipos e alfaiataria oversized foram rematados com acessórios como redes coloridas, inspirados pelas comunidades de pescadores da ilha de Curaçau.

Regina Weber

Regina Weber

A coleção da jovem designer Regina Weber arrebatou os “olheiros” do portal WGSN. Centrada no processo de decadência, Weber apresentou em Hyères a coleção romântica “Fleur Invader”, que se tornou viral nas redes sociais. Centenas de flores delicadas surgiram dentro de camadas de silicone transparente moldado, com Weber a explorar a técnica como metáfora visual para a «inevitabilidade da deterioração». O romantismo das flores foi interrompido pelo brilho e pelas cores néon dos acessórios e da última camada dos coordenados.

Marie-Eve Lecavalier

Marie-Eve Lecavalier

Vencedora do prestigiado prémio Chloé e de uma menção honrosa do júri, a coleção de Marie-Eve Lecavalier, “Come Get Trippy With Us” destacou-se pelos estampados. Tendo crescido no seio de uma família com dificuldades financeiras, numa cidade pequena nos subúrbios de Montreal, Lecavalier desde sempre olhou para a moda como «uma fantasia que apenas os ricos poderiam conhecer». A música de Frank Zappa influenciou o percurso da jovem designer e a coleção apresentada no festival, rica em estampados psicadélicos. Todos os jeans incluídos na coleção eram antigos pares de Levi’s, reciclados por Marie-Eve Lecavalier. «A sustentabilidade já deixou de ser uma escolha», reconheceu a jovem, atualmente a estagiar na Raf Simons.

Antonina Sedakova

Antonina Sedakova

A designer russa de moda masculina levou, para Hyères, a coleção final de curso, batizada “Communication Tube”. Os coordenados, inspirados pelas memórias de estilo dos anos 1980 e pelas subculturas da década, cruzaram referências musicais e familiares. Os estampados vibrantes misturaram-se com vestuário de trabalho de inspiração soviética. No final da apresentação, a coleção de Antonina Sedakova mereceu ainda o elogio dos media especializados por incluir fotografias originais, remendadas em blusões e acessórios.