Artesanato e Moda: unidos fazem a força

A moda é efémera e os consumidores de moda são cada vez mais ávidos por novidades. A principal consequência é que, embora não “oficialmente”, haja lançamento de novas tendências e colecções praticamente de três em três meses. Por outro lado, a tendência actual é baseada na individualização em contraponto à excessiva massificação do vestuário ocorrida nos últimos anos. Para já, não há como escapar: a moda exige criatividade e renovação constante, sem cair na banalização. Este facto é apontado pelos designers e estilistas como um excelente motor de oportunidades para a inserção de técnicas manuais em peças de vestuário e acessórios. Portanto, bordados, croché, ponto cruz, passamarias, aplicações, entre outras técnicas, estão em alta no mercado de moda. «O artesanato nas peças de vestuário faz a diferença», afirma Kátia Ferreira, consultora do Projecto de Empreendedorismo Social, que está a decorrer no Brasil e que orienta e capacita grupos de produção artesanal, compostos na grande maioria por artesãs. Segundo os especialistas, a tendência de valorizar o vestuário com artesanato deverá continuar nos próximos anos. Isso significa possibilidade de trabalho para a integração de milhares de mulheres brasileiras no mercado de trabalho. «Todas as cidades brasileiras têm mulheres hábeis em artes manuais. Basta promover o encontro entre o interesse dos empresários do sector de vestuário e as artesãs para gerar esse ciclo de emprego e riqueza. Além disso, as mulheres são associativistas por natureza, o que facilita a montagem dos grupos de produção», diz a responsável. Neste Projecto, não existe diferença entre as peças vendidas no Brasil e no exterior. A qualidade e a beleza dos produtos atravessam fronteiras, e têm óptima aceitação, especialmente na Europa, em função da beleza e exclusividade da peça feita à mão, pois nenhuma fica igual à outra, bem como pelo material, textura e cores.