Armani acusada de exploração laboral em Itália

A Giorgio Armani Operations foi colocada em administração judicial depois de um tribunal ter considerado que a empresa não verificou adequadamente as condições das empresas subcontratadas, que exploravam trabalhadores ilegais.

[©Giorgio Armani]

A empresa Giorgio Armani Operations, descrita como um braço industrial do Grupo Armani, foi colocada sob administração judicial pelo tribunal de Milão, acusada de, indiretamente, subcontratar a produção a empresas chinesas, situadas em território italiano, que exploram os trabalhadores.

Os investigadores concluíram que a empresa subcontratou a produção de malas, cintos e outros artigos em couro a pequenas empresas através de uma cadeia de vários subcontratantes que utilizaram métodos de exploração de mão-de-obra sobre cidadãos chineses e paquistaneses. Estas fábricas estavam situadas nos arredores de Milão e os proprietários estão a ser investigados por contratação ilegal.

Os investigadores alegam que os trabalhadores eram pagos entre 2 e 3 euros por hora e trabalhavam 10 horas por dia, em alguns casos sete dias por semana, para produzir malas vendidas aos subcontratantes da Armani por 93 euros. As mesmas eram posteriormente vendidas à Armani por 250 euros e colocadas no mercado por cerca de 1800 euros.

Nas unidades produtivas que foram alvo de buscas pelos Carabinieri do Nucleo Ispettorato del Lavoro de Milão, após investigações que decorriam desde dezembro de 2023, segundo o comunicado das autoridades italianas, foram encontradas várias substâncias químicas e inflamáveis, armazenadas em salas inadequadas, com um alto risco de incêndio. Segundo os investigadores, nos armazéns equipados com sistemas de videovigilância, os empregados comiam e dormiam no local, fazendo com que a força de trabalho estivesse disponível de imediato e 24 horas por dia.

«Em particular, foram fiscalizadas quatro fábricas, todas consideradas irregulares, nas quais foram identificados 29 trabalhadores, 12 dos quais empregados ilegalmente e ainda nove imigrantes ilegais em território nacional», indica o comunicado do Nucleo Ispettorato del Lavoro.

Além de ter sido nomeada uma administração judicial para a Giorgio Armani Operations, «foram impostas multas no valor de mais de 80.000 euros e sanções administrativas no valor de 65.000 euros e quatro empresas foram condenadas a suspender as suas atividades por graves violações de segurança e utilização de mão-de-obra ilegal».

A Euronews refere que um dos empresários chineses terá elaborado uma lista de outras grandes empresas de moda para as quais a sua fábrica produzia cintos.

Em comunicado, citado pela Reuters, o Grupo Armani afirmou que «teve sempre medidas de controlo e de prevenção em vigor para minimizar abusos na cadeia de aprovisionamento», acrescentando que vai trabalhar com as autoridades para clarificar a sua posição.