Aramidas não só à prova de bala

O mercado mundial de materiais com aramidas deverá registar um crescimento anual considerável nos próximos cinco anos, não só graças às vantagens que a fibra apresenta e à sua aplicação em áreas como os veículos elétricos, mas também aos investimentos para ter uma produção mais sustentável.

[©Teijin Aramid]

As inovações em materiais com aramidas estão a acelerar, numa altura em que as previsões apontam para uma taxa anual composta de crescimento de 9,7% no mercado mundial de fibras de aramidas entre 2021 e 2026, de acordo com o estudo “Aramids – synthetic fibres with vital roles to play beyond COP26” da empresa de pesquisa de mercado Textiles Intelligence, publicado na Technical Textiles Markets de novembro de 2021.

As inovações nas aramidas foram reveladas aos líderes de mercado na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas de 2021, conhecida por COP26, que decorreu de 31 de outubro a 13 de novembro em Glasgow, no Reino Unido.

«O facto destes materiais terem estado presentes numa conferência sobre alterações climáticas pode parecer irónico, já que as aramidas são feitas de polímeros sintéticos derivados de químicos à base de petróleo que usam processos intensivos em termos de energia», refere a Textiles Intelligence. Contudo, salienta, «as aramidas oferecem vantagens inigualáveis em termos de performance e poupança de peso e essas vantagens claramente compensam o impacto negativo da sua produção». Além disso, acrescenta a empresa de pesquisa de mercado, «é pouco provável que as vantagens possam ser conseguidas com alternativas em fibras naturais ou biopolímeros».

Kevlar MicroCore [©DuPont]
Vários produtores de aramida estão a tentar melhorar a sustentabilidade ambiental da sua oferta, explorando opções para a recuperação e reciclagem do material, melhorando a sua circularidade.

É caro produzir e comprar aramida e, por isso, faz sentido procurar uma forma de reutilização quando é possível e comercialmente viável. «Na verdade, pode fazer mais sentido recuperar fibras de aramida em termos económicos do que recuperar fibras que são uma commodity, como poliéster», indica a Textiles Intelligence.

Players apostam na inovação

A Teijin Aramid está atualmente a usar como matéria-prima fibras de para-aramida recicladas no fim de vida para fiar novos fios para aplicações diferentes – além dos pedais e juntas de travão que já são feitos com material reciclado. A empresa planeia também escalar a produção de fio Twaron, fabricado a partir deste tipo de matéria-prima reciclada, e disponibilizá-lo comercialmente em 2024.

A Teijin Aramid está ainda a colaborar numa joint-venture, denominada PurFi Manufacturing Belgium, que desenvolveu uma tecnologia de regeneração de fibra que se foca na categorização estratégica e classificação de resíduos têxteis e o processo subsequente de processar esses resíduos usando maquinaria e técnicas de processamento patenteadas.

Optiveil [©Technical Fibre Products]
O objetivo desta iniciativa, revela a Textiles Intelligence, é que as fibras regeneradas da PurFi Manufacturing Belgium sejam reutilizadas pela Teijin Aramid e pelos seus parceiros da cadeia de valor na produção de têxteis de proteção à base de aramida.

Outras inovações relacionadas com materiais em aramida incluem uma nova nanofibra de para-aramida da DuPont, batizada Kevlar MicroCore, que deverá ser usada na produção de extratores para baterias de iões de lítio em veículos elétricos e híbridos.

A Technical Fibre Products, por seu lado, desenvolveu um novo véu de superfície em não-tecido, designado Optiveil, que consegue melhorar significativamente a resistência à abrasão de compósitos reforçados com fibras.

Já o Soteria Battery Innovation Group desenvolveu uma nova tecnologia para utilização em combinação com os seus extratores de bateria não-tecidos Dreamweaver, que usam nanofibras de aramida e permitem que os extratores de bateria imobilizem elementos prejudiciais na célula. Como resultado, reduz a taxa de degradação e aumenta o tempo de vida da célula. Além disso, a tecnologia e o extrator podem ser emparelhados sem afetar o processo habitual de produção de células de bateria.

[©Soteria Battery Innovation Group]
«Isto significa que será possível implementar a tecnologia nas linhas atuais de produção das “gigafábricas”, permitindo dessa forma que sejam adotadas de forma alargada sem exigir investimentos em equipamentos ou linhas de produção adicionais», conclui a Textiles Intelligence.