Ar sólido

O blusão Extreme Wheather desenvolvido pela empresa italiana de vestuário Corpo Nove é um dos inúmeros produtos com aerogel que deverão tornar-se uma realidade comercial este ano. A manta de isolamento em aerogel produzida pela empresa americana Aspen Aerogels e utilizado como forro no Extreme Wheather, é considerada três vezes mais eficaz do que o Thinsulate da 3M. O aerogel é envolvido com bolsas de ar isolantes de forma a impossibilitar a passagem da maioria das moléculas de gases, incluindo o ar, resultando virtualmente em perdas de calor nulas.

 

A Aspen Aerogels, uma empresa com apenas três anos de existência, já se tornou rentável, com receitas previstas para este ano na ordem dos 1.700 mil euros. Em 2005, a empresa espera chegar próximo da marca de 85 milhões de euros.

 

O Aerogel foi inventado primeiramente por Steven Kistler por volta de 1930 mas tem sido objecto de trabalho de desenvolvimento muito intenso durante os últimos 20 anos. Basicamente é produzido a partir da criação de estruturas gelatinosas, das quais é removido todo o líquido sem sofrerem qualquer encolhimento. Considerado o mais leve de todos os materiais sólidos conhecidos, o aerogel é apenas três vezes mais denso que o ar. Com efeito, com cerca de 90% de ar, é composto por poros interligados de densidade extremamente elevada de sílica, alumina, carbono ou outros materiais com diâmetros inferiores a 100 nanometros.

 

O centro de voo espacial de Marshall já proporcionou especificações para aerogeles a mais de 50 empresas e institutos de investigação destinados a produtos tão diversos como fatos de mergulho, isolamentos industriais, contentores médicos e janelas. A Aspen Aerogels parece ter encontrado o seu primeiro grande mercado na indústria da construção civil, antes da moda. Como substituto da fibra de vidro, o aerogel pode originar enormes economias em termos de matérias-primas, assim como reduzir as contas relativas ao aquecimento.

 

Até ao momento, o preço constituía o principal entrave à sua aplicação, mas agora a Aspen dispõe da capacidade para produzir próximo de um milhão de metros quadrados de aerogel por ano, tornando o seu preço competitivo em comparação com a fibra de vidro.

 

Em 1999, a Aspen apresentou um processo de produção de aerogeles a alta velocidade e baixo custo, o qual foi esse ano premiado como tecnologia de investigação inovadora para pequenos negócios na categoria Produção/Materiais. «O novo processo proporciona uma drástica economia de custos na produção de aerogeles, que podem agora ser produzidos em massa para os sectores da construção, aerospacial, dos transportes, do vestuário e da criogenia», declara Kang P. Lee, presidente da Aspen. Uma unidade piloto de 1.000 litros iniciou a sua produção em finais de 2001.

 

«A Aspen Systems encetou as suas actividades no domínio do aerogel em 1993 sob contrato da SBIR [NdR: Small Business Inovation Research – NASA] para desenvolver mantas de aerogel flexíveis para aplicações criogénicas no Centro Espacial Kennedy. Este trabalho resultou num produto patenteado», explica Kang P. Lee. «Nos oito anos seguintes efectuámos mais sete contratos com o governo americano, pelos quais recebemos aproximadamente 4.200 mil euros». 

Além da sua velocidade elevada, outra característica relevante do processo da Aspen é a velocidade poder ser virtualmente independente da dimensão do equipamento de produção, em oposição ao processo convencional de secagem do aerogel.