O excelente desempenho do construtor de maquinaria têxtil Saurer durante o ano transacto conseguiu eclipsar a controvérsia causada pela sua ausência na ITMA 2003. A elevada procura nos sectores das fibras sintéticas e bordados, associada a uma campanha de redução de despesas, originou um resultado notável para o grupo.
O director-geral da Saurer – Heinrich Fischer – sublinha o compromisso da empresa para com o sector têxtil: «Há oportunidades de crescimento nos têxteis e o retorno de investimentos é realmente bom, pelo que acreditamos que a maquinaria têxtil terá um bom futuro pela frente. Trata-se de uma indústria madura e a consolidação no mercado está bastante avançada». Além do seu negócio em maquinaria têxtil, que inclui reputadas marcas como a Schlafhorst, Zinser, Barmag, Neumag e Volkmann, a Saurer possui também a activa divisão Sistemas de Transmissão, e Heinrich Fischer encara as divisões como partes integrantes do plano para o futuro. «Também notamos algumas oportunidades de crescimento neste domínio, de modo que contrabalançará com a actividade têxtil numa quota 50:50». Os resultados de 2003, recentemente divulgados, revelam um aumento do volume de negócios em 3%, para 1.746 milhões de euros, e do EBITDA, que passou de 149 milhões de euros em 2002 para 166 milhões de euros. Na divisão Têxtil, as venda globais apresentaram um significativo aumento de 5% em 2003, atingindo os 1.275 milhões de euros, embora o influxo de encomendas tenha baixado 5%, para 1.233 milhões de euros. Ciclos cada vez mais curtos estão a afectar os pedidos de encomendas, mas a empresa acredita que as suas unidades reorganizadas estão aptas a suster estas flutuações que chegaram a atingir picos de variação de 30% de um trimestre para outro. A China, o maior mercado para muitos dos seus produtos, é também um campo de batalha para a Saurer e os seus concorrentes locais, que ao produzir localmente tiram vantagens dos custos mais baixos e da ausência de protecção da propriedade intelectual, e Heinrich Fischer mostra-se muito crítico para com os governos ocidentais pela sua falta de acção na questão da propriedade intelectual. «Nós, a ocidente, devemos sincronizar esforços e agir eficazmente contra os casos de infracção de patentes», declara. «O problema é que as grandes indústrias ditam as leis pelas quais as médias indústrias podem operar, e penso que neste âmbito os nossos governos têm feito um mau trabalho. Somente um esforço conjunto ao nível da comunidade da OMC originará alguma mudança, de outra forma nada poderá ser feito já que sozinhos somos fracos demais para proteger os nossos interesses». Apesar de a ameaça imediata dos produtores com custos baixos ainda não ser grande, Heinrich Fischer teme que a cadência do desenvolvimento poderá acelerar, em especial se não forem impostos limites quanto à cópia das máquinas desenhadas pelo Ocidente. «Enquanto nós gastamos 7 a 8% do nosso volume de negócios em I&D, eles gastam 0.5%. Deste modo, pode suceder que se tornem competitivos. Quando olho para o futuro de um grupo como a Saurer, esta é um dos maiores problemas – certamente muito mais importante do que se estivemos ou não presentes na ITMA. Entre outros problemas difíceis a que usualmente a indústria de maquinaria têxtil tem de fazer frente estão as cotações monetárias e a terrível situação da indústria têxtil americana, onde, segundo Heinrich Fischer, se têm registado perdas massivas nos últimos anos, muitas das quais causadas pela própria China. Sobre a ausência da Saurer na ITMA, Heinrich Fischer está convicto de que foi tomada a decisão correcta. «Encetamos um processo radical de acção em marketing, que inclui a organização de seminários onde temos até 400 clientes», revela. «Nas feiras, quer nós quer os nossos clientes estamos sempre pressionados pelo tempo, enquanto que nos nossos eventos especiais, os clientes podem usufruir plenamente da nossa atenção durante um ou dois dias». No ano passado, os eventos organizados pela Saurer puderam contar com a assistência de clientes vindos da Turquia, Índia, China e de numerosos países europeus. «No futuro, pensamos que a importância das feiras será reduzida. Trata-se de empregar melhor o dinheiro do marketing. Em ITMAs passadas chegámos a desembolsar cerca de 3 a 4 milhões de euros, enquanto que a indústria, no seu todo, deve gastar algo como um bilião de euros na ITMA», afirma. No entanto, a Saurer estará presente na ITMA Ásia no próximo ano, em reconhecimento da importância da região como mercado, razão pela qual o grupo tem procurado desenvolver as suas vendas, serviços e unidades de produção na Ásia a um ritmo acelerado. «Continuamos a produzir na Alemanha, onde empregamos 4.000 pessoas, mas a extensão da nossa capacidade está focalizada na Ásia, em especial na China e na Índia. Este ano, a produção local será considerável», revela Heinrich Fischer. A Saurer já fabrica máquinas de fiação de filamentos e bobinadeiras na China, enquanto que a Índia é utilizada para o fornecimento de componentes, assim como para a produção de certos tipos de máquinas para a indústria local. «No futuro, poderemos deslocalizar mais produção, dependendo da evolução do mercado. Mas não creio que tudo virá a ser produzido na China. A economia de custos com a deslocalização da produção da Alemanha para a China é realmente baixa, pois a mão-de-obra representa apenas 6 a 7% dos custos totais da produção. E quer a Alemanha quer a Suíça têm certosclusters tecnológicos que nos conferem grandes vantagens na produção de componentes pequenos». O bem sucedido programa de redução das despesas encetado pela Saurer vai prosseguir em 2004, e não será antes do final do corrente ano que os benefícios totais desta campanha serão sentidos. «Veremos que será possível economizar os cerca de 33 milhões de euros, fixados em 2002, até 2005», afirma Heinrich Fischer.A mais significativa tendência de desenvolvimento da Saurer é tornar-se um provedor de soluções completas, em vez de máquinas individuais. «Nas fibras não-naturais, por exemplo, mais de metade do que vendemos é sob a forma de unidade completa, e a situação é similar na fiação de fibras curtas». Neste âmbito, a Saurer formalizou levemente a sua cooperação com a Trützschler, fabricante alemã de sistemas de preparação à fiação, proporcionando aos seus clientes um folheto de informação com as possibilidades existentes no domínio da fabricação do fio. Propostas com soluções similares são também apresentadas para a fiação de fios para carpetes e pneus, assim como de filamentos. Com efeito, o conceito de provedor de soluções vai agora mais além, já que a Saurer está apta a oferecer aos seus clientes uma gama completa de produtos e serviços, «desde o financiamento do projecto até à entrega em mão das instalações prontas a funcionar», remata Heinrich Fischer.









