Aprovisionamento em transição – Parte 1

Com milhares de fábricas encerradas na China e em diversos países, a recessão mundial está a deteriorar a cadeia de fornecimento do vestuário e calçado. Um painel de discussão no Prime Source Forum 2009, que decorreu em Hong Kong entre 31 de Março e 2 de Abril, debateu o novo período de transição do aprovisionamento. Os retalhistas e as marcas de moda analisaram se, a interrupção das vias de aprovisionamento, representa uma “onda” passageira ou uma “mudança” efectiva nas operações. Os actuais acontecimentos económicos, absolutamente sem precedentes, obrigam a inventários mais reduzidos e a encomendas mais pequenas, enquanto o crescimento das economias BRIC (Brasil, Rússia, índia e China), em conjunto com a responsabilidade social e a sustentabilidade, revelam que a cadeia de fornecimento do vestuário está a registar algumas mudanças evolutivas muito necessárias. Ken Watson, da Industry Forum Consultants and Services, afirmou que, de qualquer forma, o velho modelo de aprovisionamento está repleto de ineficiências». O responsável referiu ainda que o nosso modelo tradicional é muito ineficiente e o mercado em que estamos, neste momento, é um pouco como conduzir um carro de Fórmula Um no nevoeiro – algo perigoso. Estamos a entrar num mercado onde ninguém sabe o que vai acontecer, mas temos de prever o que devemos fazer. Num mercado incerto, temos de ser mais flexíveis e reactivos». Trata-se de ter uma cadeia de fornecimento rápida, reactiva e que consegue entregar dentro da estação. Não se trata de diminuir o prazo de entrega para seis meses ou de seis meses para seis semanas, é entregar algo de forma consistente dentro de quatro semanas e ser capaz de reagir na estação», explicou Watson. A aposta da Guess A marca Guess vende os seus artigos em todo o mundo e posiciona o seu aprovisionamento em regiões vizinhas, em vez de apostar apenas num determinado país. A empresa, que tem agora cerca de 1.100 lojas a nível mundial, possui centros de aprovisionamento e design em Florença, Los Angeles e Hong Kong, para servir os mercados europeu, norte-americano e asiático, respectivamente. Mudança versus onda? Nem uma, nem outra», aclarou Jeff Streader, vice-presidente de aprovisionamento global da Guess. Trata-se de manter, caso acredite na sua estratégia de aprovisionamento». No entanto, a Guess está a “podar” a sua base de fornecedores, que abrange fundamentalmente: China, índia, México e Turquia. Streader revelou ainda que estamos no processo de consolidação da nossa base de fornecedores e existem três princípios por trás disso. Número um: a parceria. Continuamos a concertar com os nossos importantes parceiros de malhas, camisolas, denim e tecidos, para partilhar com eles o que são exactamente as nossas exigências». Número dois: o desenvolvimento conjunto dos produtos. Mesmo possuindo 300 colaboradores de design em Los Angeles, ainda assim queremos o feedback da indústria (fábricas de têxteis, fornecedores de acessórios, fornecedores directos e agentes). O terceiro princípio, e o mais importante, é a transparência. Queremos saber quem são os fornecedores, a quem compram o tecido, qual é a sustentabilidade do negócio e se é rentável com a Guess – queremos que tenham lucro com a nossa marca, sem surpresas nem segredos», concluiu o vice-presidente de aprovisionamento global da marca americana. Na segunda parte deste artigo, continuaremos a analisar as principais conclusões retiradas do Prime Source Forum 2009, sobre a evolução do aprovisionamento do sector de vestuário internacional.