Apparel Impact Institute cria benchmark energético e carbónico

O instituto lançou uma ferramenta que permite calcular, avaliar e comparar o desempenho energético e as emissões ao nível dos processos produtivos têxteis, para acelerar a descarbonização da indústria da moda.

[©Unsplash-Anne Nygard]

O “Energy and Carbon Benchmark” é apresentado como o primeiro instrumento do setor capaz de calcular o desempenho por tipo de processo e por instalações com múltiplas operações no mesmo local, visando criar métricas consistentes que acelerem a redução das emissões de gases com efeito de estufa ao longo da cadeia de valor.

De acordo com o Apparel Impact Institute (Aii), a iniciativa surge num momento em que as emissões do setor do vestuário aumentaram quase 8% em 2023 face ao ano anterior, representando cerca de 2% das emissões globais de gases com efeito de estufa e marcando o primeiro aumento significativo desde que o Aii iniciou o seu acompanhamento.

Ao contrário de ferramentas existentes, como o Higg Facility Environmental Module, o Aii indica que o novo benchmark permite calcular o desempenho ao nível dos processos individuais, distinguindo entre instalações que realizam um único tipo de processamento e as chamadas instalações verticais, que combinam várias etapas no mesmo local. A ferramenta cobre a fiação, tecelagem, tricotagem, processos húmidos e confeção, fornecendo indicadores de intensidade energética ajustados ao perfil de produção de cada unidade fabril.

«Esta ferramenta de benchmarking ajuda os fornecedores a determinar objetivamente em que ponto se encontram na sua jornada de sustentabilidade, o que, por sua vez, pode apoiar intervenções mais rentáveis, resultando em soluções energéticas mais eficazes, maior eficiência e redução das emissões», afirma Jimmy Summers, vice-presidente de ambiente, saúde, segurança e sustentabilidade da Elevate Textiles.

A ferramenta foi desenvolvida com base em dados de desempenho energético provenientes de fontes verificadas, incluindo o Higg Index e avaliações diretas em fábricas e contou com a participação de um Comité de Revisão Técnica que integra organizações como a Bluesign, a Cascale, a Inditex, a MAS Holdings e o Grupo H&M.

Da fase piloto à implementação

A fase piloto, realizada entre outubro de 2025 e março de 2026, envolveu dados de cerca de 500 instalações em múltiplas regiões e tipos de processo e incluiu a participação de retalhistas como a H&M, a Gap, a Target e a PVH, bem como fornecedores como a Elevate e a KPI Mills.

«No que diz respeito aos esforços de descarbonização da indústria, a moda, historicamente, não tem sido capaz de definir claramente o que constitui uma “boa” eficiência energética. O benchmark da Aii, criado em parceria com o setor do vestuário, estabelece essas linhas de base apoiadas em dados», salienta Henrik Sundberg, responsável pelo impacto climático do Grupo H&M.

A versão 1.0 da ferramenta está disponível tanto em formato Excel, para autoavaliação, como numa plataforma digital gerida pela Made2Flow e o Aii prevê publicar uma versão atualizada no segundo trimestre de 2026, após a análise dos dados recolhidos durante a fase piloto.

Kurt Kipka, diretor de impacto da Aii, salienta o potencial da ferramenta. «Esta metodologia oferece à indústria da moda uma forma estruturada, quantitativa e, ao mesmo tempo, simples de avaliar o consumo de energia e as oportunidades de redução de carbono. Em última análise, esperamos que um dia todos os fornecedores, independentemente da sua dimensão, reconheçam o valor comercial de monitorizar e comunicar o seu desempenho em termos de carbono utilizando este benchmark. E, ao fazê-lo, as marcas e as instituições financeiras poderão responder em conformidade com compromissos e incentivos financeiros para recompensar os melhores desempenhos e apoiar adequadamente os fornecedores com oportunidades significativas de melhoria».