Jornal Têxtil (JT) Quais os momentos mais marcantes, no sentido positivo e negativo, da história da Lousafil?
Carla Costa (CC) – A Lousafil comemora este ano 25 anos. Felizmente, podemos dizer que já tem uma história longa, com um saldo, definitivamente, muito favorável. Também passou, obviamente, e como qualquer empresa, por momentos menos positivos, mas que soube sempre ultrapassar. Falando agora da história mais recente da Lousafil gostaria de salientar o processo que levou à «Certificação de Qualidade», a renovação da marca Kispo e a abertura de uma unidade industrial em Cabo Verde, não só pela importância que cada um destes projectos apresentam para a Lousafil, mas por resumirem a actual estratégia: aposta na qualidade total, na comercialização directa, que neste momento refere-se à Kispo e ao vestuário de trabalho, de protecção e segurança, e na manutenção e crescimento da área de exportação para grandes marcas internacionais, para o que contribuirá certamente a deslocalização da produção para países de mão-de-obra mais barata. JT- Além do que já foi dito, pode-nos adiantar alguma novidade, em termos estratégicos, relativamente às três grandes áreas de negócio, que como já referiu implicitamente, a Lousafil está dividida: a produção e comercialização da marca Kispo, a produção e comercialização de vestuário de trabalho,de protecção e segurança e a exportação para importantes marcas internacionais?CC- Quanto à exportação para grandes marcas internacionais, além de procurar conquistar novos clientes, a empresa procura equipar-se e formar os seus colaboradores de forma a acompanhar sempre as necessidades dos clientes, com a maioria dos quais mantém relações longas. A abertura de uma unidade industrial num país de mão-de-obra mais barata, como Cabo Verde, foi, para já, pensada no sentido de servir esta área. No que se refere à produção e comercialização de vestuário de trabalho, protecção e segurança, a Lousafil irá apresentar este ano um crescimento muito acentuado, e conta actualmente, entre os seus clientes, com alguns dos principais organismos nacionais a nível da protecção, da segurança e da saúde, para além de Câmaras Municipais, importantes empresas de construção civil, etc. Nesta área a exportação é também já uma realidade. Falando agora da produção e comercialização da marca Kispo, a Lousafil abriu, recentemente, a primeira loja própria e monomarca, no Shopping Cidade do Porto, e abrirá uma segunda durante o mês de Maio, em Lisboa, no Picoas Plaza. Está prevista a abertura de mais duas lojas até ao final do corrente ano. A Kispo está ainda representada em alguns dos principais retalhistas nacionais, ao lado de outras marcas consagradas. Entretanto, surgiram recentemente propostas para venda e representação noutros países, propostas, que nesta fase inicial do processo, foram surpreendentes, pela positiva. No entanto, não descurando estas hipóteses, a estratégia será privilegiar a distribuição directa, via lojas próprias e monomarca. JT Analisando as suas respostas, o balanço que faz do percurso da Lousafil é positivo CC- Felizmente, só podemos fazer um balanço muito positivo. A Lousafil tem um capital social de 1.500.000 euros, conta actualmente com 70 trabalhadores e factura cerca de 7.000.000 euros/ano. É uma empresa sólida, com projectos estratégicos a serem concretizados e, obviamente, com outros projectos, não menos interessantes e importantes, em carteira. Este é o resultado do trabalho de todos os nossos colaboradores e dos nossos parceiros que são quem faz afinal o sucesso da empresa. JT- Qual o grande desafio actual para a Lousafil?CC- Sem dúvida, consolidar e melhorar ainda mais a sua performance em cada uma das áreas de negócio e alargar a sua actividade a outras áreas que consideramos estratégicas, ou seja, começar a reflectir sobre os já referidos projectos em carteira. JT- Que comentários faz sobre o projecto de fornecimento de vestuário para o Euro 2004.CC- A Lousafil produziu os fatos ignífugos para a PSP, no âmbito do Euro 2004. Os fatos são, como o nome indica, à prova de fogo, e seguem as especificações ditadas pela própria PSP. JT O que nos pode revelar sobre os vários projectos inovadores em curso (i-garment, coletes anti-bala, etc)?CC- A Lousafil tem apostado na inovação ao nível não só dos materiais utilizados como das próprias tecnologias de confecção. Procuramos estar sempre actualizados no que diz respeito a ambos os factores, para o que também contribui a boa relação que mantemos com algumas instituições, nomeadamente, o Citeve. O I-Garment foi um desafio que abraçamos e que, dada a credibilidade e o profissionalismo dos responsáveis pelas restantes entidades, estamos certos que será um exemplo pioneiro, e com o maior sucesso, no nosso país. Estaremos sempre abertos a participar neste tipo de projectos que, além de tudo, nos facultam uma valiosa aprendizagem. A concepção e fabrico de coletes à prova de bala é outro projecto que estamos a desenvolver e para o qual já diligenciámos os devidos procedimentos. Pessoalmente, não conheço neste momento outra empresa portuguesa preparada para o fazer. Não estou a dizer que não existe, estou a dizer apenas que não conheço. A nossa expectativa é que os organismos nacionais que utilizam este tipo de produtos, comecem a dar oportunidades à industria nacional, neste caso concreto, dêem uma oportunidade à nossa empresa. É essencial que, em igualdade de condições de qualidade e de preços, os organismos nacionais incentivem a indústria nacional e não optem sistematicamente por produtos importados. JT- Devido à pequena dimensão do nosso mercado e à forte concorrência, será que há lugar para a Kispo?CC- Primeiro a Kispo não se destina exclusivamente ao mercado interno, e depois, as peças da marca têm características que permitem não apenas a sua distinção relativamente às marcas já existentes, mas apresentam inclusive um valor acrescentado relativamente superior. As peças Kispo assumem um compromisso muito interessante entre a moda e a intemporalidade, são sinónimo de elevada qualidade e funcionalidade, sendo produzidas com materiais técnicos e inovadores, exaustivamente estudados e rigorosamente testados. Falando dos Kispos, são blusões realmente impermeáveis, respiráveis e à prova de vento. No Verão protegem das altas temperaturas e dos raios solares e em situações do frio mais intenso conferem o aquecimento necessário, sem deixarem de ser muito leves, confortáveis, de fácil manutenção e transporte. Vestirá Kispo quem, além de pretender manter uma imagem agradável e actual, procura um excelente conforto e protecção das agressões externas, nas várias situações do dia-a-dia. É o vestuário indicado para quem valoriza efectivamente a qualidade, o bem-estar e a vida ao ar livre. JT Faça-nos o balanço da última participação no Portugal Fashion, com a colecção Kispo.CC- O balanço da participação nos eventos de moda, como a penúltima edição da Modalisboa e as duas últimas edições do PortugalFashion, é muito positivo, não apenas pelas repercussões promocionais que acarretaram mas também pela experiência gratificante em que se traduziram. JT- Que comentários faz à situação actual do sector e em que medida esta situação tem afectado a performance da Lousafil?CC- A situação actual do sector não é a mais favorável, mas já não o é há muitos anos. Os problemas têm vindo a ser ultrapassados da forma que parece ser a mais indicada, tendo em conta a conjuntura do momento. Mas há um factor que possivelmente faz a diferença: a Lousafil antecipa os problemas que se avizinham e por isso, prepara-se da forma mais conveniente para os ultrapassar. K Kispo e de Katty: Um grande desafioO JT também falou com a estilista Katty Xiomara, responsável pela nova imagem da marca. JT Como encarou este projecto de renovação de uma marca tão marcante como a Kispo?KATTY XIOMARA –Encarei o projecto como um desafio e uma nova experiência. A marca Kispo e o seu conceito de conforto, tecnologia e inovação, permitem-me abordar uma geração de vestuário que normalmente não se encontra definida numa ideia global de moda. JT Está satisfeita com esta colecção, presente na primeira loja, recentemente inaugurada? Que surpresas podemos esperar para a próxima colecção?KX-Estou. Sendo esta colecção a primeira, é a fase de todas as experiências e adaptações. As próximas serão o resultado duma maior integração e convergência de objectivos, por isso espero que tenham novas e agradáveis surpresas, apresentando uma constante evolução, aproximando os conceitos de conforto, tecnologia e inovação ao design. JT O imaginário da marca nos consumidores, como por exemplo as cores vermelho, azul e branco, é limitativo em termos de criação?KX-Não creio que sejam limitativo mas sim inspirador. No caso das cores, estas são uma base de trabalho para a colecção, uma vez que a nossa palete nunca ficará limitada. O mesmo acontece com outras ideias preconcebidas da marca, ideias que vamos respeitar, mas também modernizar e adaptar.










