Ano 2001: na mesma linha

Nos últimos anos, quando chega o momento do Jornal Têxtil apresentar o balanço da indústria têxtil e do vestuário (ITV) nacional no ano anterior, a tónica tem sido sempre a mesma: o sector têxtil apresenta melhores resultados do que o sector do vestuário. As causas para esta situação são mais do que evidentes e do conhecimento geral. Refira-se que, segundo dados do INE, entre 1995 e 2001, o Volume de Negócios por Trabalhador no sector têxtil cresceu 48,4% , enquanto que o mesmo indicador no sector do vestuário subiu apenas 2,7%. No mesmo período o Índice de Remunerações por Trabalhador cresceu 37,2% e 35,9% no sector têxtil e no sector do vestuário, respectivamente. Relativamente ao sector do vestuário, estes valores, independentemente de algumas dúvidas na sua precisão, são muito preocupantes e ajudam a perceber a situação das empresas que, na generalidade, mantêm o mesmo modelo de gestão e de negócio ao longo dos últimos anos. E, o problema agrava-se, se tivermos em consideração que uma grande parte do sector têxtil nacional depende da evolução do sector do vestuário. O primeiro está longe de estar a salvo dos problemas do segundo. O melhores resultados do sector têxtil justificam-se pela existência de sub-sectores e empresas (algumas, também, no sector do vestuário) que apresentam resultados excelentes no mesmo período, sustentados em novos factores de competitividade, com destaque para o reforço da capacidade comercial e de oferta de soluções. A questão é que, estes modelos de sucesso são dificilmente extensíveis à maioria das empresas da fileira, pela especificidade de alguns negócios e pela situação do actual contexto nacional. Existem graves limitações no país que impedem que o sector, de uma forma global, dê o necessário “salto” qualitativo. É preciso actua desde já, sem hesitações e com profundidade, nas poucas, mas decisivas, variáveis que o país controla, no sentido de se obterem resultados em dois período diferentes: no curto prazo (no sentido de resolver os problemas mais prementes) e no médio/longo prazo (com o objectivo de ultrapassar os estrangulamentos mais estruturais e que dificultam a criação de um novo modelo de negócio sustentável por novos factores de competitividade). No curto prazo é necessário reunir esforços e com os actuais recursos: – apontar “caminhos” e definir estratégias (fazer opções e deixarmos cair nalguns experimentalismos inconsequentes); – introduzir referenciais no sentido de criar uma nova cultura de “missão” e de responsabilização de empresários, trabalhadores e das estruturas do sector; – rever a legislação laboral, no sentido de introduzir a flexibilidade exigida pelos mercados ás empresas, num quadro de valorização do trabalhador qualificado e competente; – reformular os instrumentos da política de competitividade, com o objectivo de privilegiar os prjectos de mudança e de risco; – colocar ao serviço das empresas, de uma forma mais eficiente, as estruturas nacionais de acção e de representação nos mercados internacionais. Para o médio e longo prazo, devem ser sobretudo projectados os resultados que não são possíveis atingir de imediato, como é o caso de um novo nível do “saber”. Elevar o nível do Econhecimento” das pessoas terá que passar, necessariamente, pela formação e atracção de mais empresários, gestores e quadros técnicos e, também, por uma atitude mais profissional, eficaz e internacional. O descalabro nas contas públicas e nas contas externas de Portugal confirmam, mais uma vez, que o país continuará a precisar da indústria têxtil e do vestuário nacional e que o sector é uma das apostas mais seguras. Editorial Manuel Teixeira Jornal Têxtil Maio 2002 Os links seguintes remetem para os artigos relacionados com o artigo anterior. Margens sustentam crescimento O empurrão dos têxteis técnicos Têxtil aguenta queda do vestuário ITV aumenta volume de produção Portugal cresce, Espanha dispara, França recua Rentabilidade não acompanha aumento das vendas