ANIL desmente crise no sector dos têxteis

“A indústria têxtil está bem e recomenda-se”, afirmou ao Expresso o presidente da Associação Nacional de Lanifícios (ANIL) e da Federação da Indústria Têxtil e do Vestuário, José Robalo, contrariando “o cenário de catástrofe que rodeia o sector”, principalmente na Beira Interior. Mesmo com o ambiente de crise económica que ameaça o sector têxtil, vai ser lançada uma campanha para promover os lanifícios portugueses em Espanha, que contará com um investimento de três milhões de euros. No entender de José Robalo, a indústria têxtil portuguesa ressente-se como todos os outros sectores, mas a falência de empresas “é uma situação natural, uma limpeza benéfica do tecido industrial”. A posição em que o dirigente associativo se coloca é bastante diferente da dos autarcas da região, que atentos às falências e à subida da taxa de desemprego pediram ao Governo um plano de emergência para a Beira Interior, com incentivos fiscais e linhas de crédito bonificado. O presidente da Câmara do Fundão, Manuel Frexes, afirma mesmo que a situação é muito preocupante e relembra o encerramento da Eres que deixou 500 pessoas no desemprego. Depois de um aumento de 0,6% do volume de negócios de 2001, uma queda de 5,4% nas vendas do primeiro trimestre deste ano, fazem antever os tempos difíceis pelos quais a indústria têxtil e do vestuário está a passar. De acordo com dados avançados pelo CENESTAP – Centro de Estudos Têxteis Aplicados, os indicadores de confiança estão também em queda, tendo já atingido nos primeiros três meses do ano o valor mais baixo desde 1997. José Robalo desdramatiza e acrescenta que a ajuda às empresas só irá adiar “o problema e criar concorrência desleal”. “Não há sectores em crise. Há empresas capazes, dinâmicas e com sucesso porque no momento certo fizeram as apostas devidas, e empresas sem produto nem colecções próprias nem design, a vender minutos”, acrescenta o empresário. Na opinião do mesmo, a solução passa por instrumentos que permitam às empresas ser competitivas, designadamente ao nível da legislação laboral, mas também dos custos de produção, tal como a energia. «Estamos a trabalhar para seguir o exemplo dos têxteis-lar, com um enorme sucesso no mercado externo e começamos a ofensiva em Espanha», justifica o presidente da ANIL.