Anbievolution atenta ao mercado

A empresa especialista em malhas circulares está a rever a estratégia de expansão internacional. Foco na sustentabilidade e análise a novas abordagens fazem parte das premissas para prosseguir o crescimento.

André Andrade

Com centenas de referências em carteira, a Anbievolution decidiu centrar a sua oferta nos artigos mais sustentáveis e dar até uma pequena lição sobre as características das diferentes fibras. Esta nova visão esteve espelhada na mais recente edição da Première Vision.

«Normalmente, trazíamos trezentas ou quatrocentas referências diferentes, de todas as estações. Este ano decidimos fazer uma apresentação completamente diferente», revela, ao Portugal Têxtil, André Andrade, gestor da empresa. «Decidimos trazer só a coleção primavera-verão e fazer uma apresentação à base de sustentabilidade, incluindo os cabides», indica.

Lã merino, linho, algodão orgânico e liocel são as fibras em destaque neste domínio, para as quais a Anbievolution fez uma pequena apresentação. «Explicamos como são do início ao fim, porque há muitos clientes que não sabem como podem ser usadas e quais as limitações, porque as fibras têm os seus processos e não dá para mudar», refere.

A mudança surge também em resposta ao mercado. «Hoje em dia, os clientes só podem sustentabilidade», aponta André Andrade, embora a empresa mantenha uma oferta diversificada. «Temos sempre de tudo, dos poliésteres aos algodões, mas estas fibras mais sustentáveis vão ser o futuro», acredita.

Espanha, Coreia do Sul, Itália e EUA são atualmente os principais mercados da empresa, quer com exportação direta, quer indireta. «A exportação direta normalmente representava 25%, mas no ano passado caiu muito», assume André Andrade. Em compensação, há cada vez mais clientes internacionais a procurar peça acabada em Portugal, refere. «Temos vendido muito indiretamente para os EUA, por exemplo, porque temos recebido muitos clientes que só querem peça acabada e, por isso, vendemos para os confecionadores. Às vezes esses clientes pedem-nos mesmo contacto de confecionadores, que depois vêm comprar-nos já com a referência dada pelos clientes», explica o gestor da Anbievolution.

Num mercado cada vez mais exigente, que levou a empresa a fazer o controlo da malha em cru antes da tinturaria e acabamentos, o que permite também ter menos desperdício, os números de 2023 foram satisfatórios. «Foi um ano bom porque tivemos um cliente americano, novo, que nos fez uma encomenda muito grande através de um confecionador português e salvou o ano, que vinha muito em baixo», revela André Andrade.

Atualmente com presença em feiras como a Première Vision, London Textile Fair e Modtissimo, a Anbievolution poderá enveredar por uma estratégia diferente em breve. «Após o covid, as feiras têm estado fracas, no geral e, por isso, vamos decidir se vamos continuar nas feiras, que são um investimento gigante, ou se vamos começar a contactar diretamente os clientes. Estamos a pensar nisso, mas não há nada de definitivo», sublinha o gestor.

Quanto a 2024, as perspetivas são contidas. «O ano está a começar muito lento», indica, mas «há esperança», acrescenta. «Acredito que vá ser um bom ano porque estamos a trabalhar cada vez melhor e temos recebido muitos clientes. Embora seja uma fase sobretudo de amostras, acredito que tenham um bom potencial para o futuro», conclui André Andrade.