Análise às importações comunitárias de roupa de cama

O mercado comunitário de roupa de cama em tecido é concorrido fundamentalmente por três países de origem (responsáveis por mais de metade do volume das importações) que disputam a quota de mercado no espaço da União Europeia (UE), nomeadamente: China, Índia e Paquistão. Com base na análise realizada , o Portugal Têxtil apresenta os pontos mais relevantes sobre a actual situação do mercado comunitário de roupa de cama (categoria SIGL 20).

Apesar da aplicação, por parte da Comissão Europeia (CE), de taxas anti-dumping sobre a roupa de cama (ver notícia no Portugal Têxtil) com origem no Paquistão, resultando numa quebra das importações ao longo dos cinco primeiros meses de 2005 (relativamente a igual período de 2004), este país permanece como principal origem das importações comunitárias nesta categoria.

De acordo com os dados comunitários, verificou-se uma diminuição de 20,68% em termos de volume de importações paquistanesas, que registaram uma quebra na sua quota de mercado dos 42,92% em 2004 para os 31,64% entre Janeiro e Maio de 2005.

Em seguimento das investigações concluídas no dia 10 de Junho, a eventual reimposição das taxas anti-dumping de 13,1% encontra-se actualmente em análise por parte dos responsáveis comunitários, que dentro em breve devem decidir sobre como e quando as eventuais taxas serão aplicadas.

Com as taxas anti-dumping em aplicação desde 2004, os principais concorrentes paquistaneses estão a beneficiar de uma maior facilidade no acesso ao mercado comunitário. Trata-se fundamentalmente do caso da China e da Índia, que têm registado uma evolução positiva ao nível do volume das importações e da quota de mercado.

O volume de importações de roupa de cama com origem na Índia registou uma subida de 24% durante os primeiros cinco meses do ano (relativamente a igual período de 2004). Para o mesmo horizonte de comparação, o volume de importações com origem na China registou uma evolução mais significativa na ordem dos 154,72%, originando o posicionamento em 107% do nível de alerta estabelecido pela CE para a categoria (ver notícia no Portugal Têxtil).

Considerando as importações globais registadas durante o período de Janeiro a Maio de 2005, verificou-se uma diminuição de 7,54% no preço médio da roupa de cama em tecido importada pela UE. Acompanhando esta tendência geral temos o caso das importações com origem no Paquistão (com uma quebra no preço médio de 16,01%), na China (quebra de 38,16%) e no Bangladesh (quebra de 5,47%). O preço médio das importações indianas não seguiu a tendência geral, registando uma subida de 3,29%.

No entanto, o panorama geral poderá registar algumas alterações face às eventuais restrições quantitativas aplicadas pela UE sobre as importações abrangidas pela categoria 20 com origem na China. Durante o mês de Agosto poderá ser verificado o embargo, beneficiando outras origens.

Aliado a este factor encontra-se o novo Sistema Generalizado de Preferências (SGP) aprovado pela CE (ver notícia no Portugal Têxtil) e que prevê um sistema aplicável desde 1 de Julho, para beneficiar os países com economias vulneráveis, o SGP Plus. Ao abrigo deste sistema, países como o Sri Lanca (13.º principal fornecedor comunitário na categoria 20) e o Bangladesh (4.º principal fornecedor comunitário na categoria 20) vão beneficiar no acesso privilegiado ao mercado comunitário antes da implementação do SGP para os restantes países abrangidos, entre os quais se encontra o Paquistão.