Análise ao comércio electrónico na ITV – Parte II

O e-Business W@tch, iniciativa conjunta da Comissão Europeia (CE) e da Direcção Geral da Empresa e Indústria, analisou o nível de aplicação do comércio electrónico na indústria têxtil e de vestuário através de entrevistas realizadas a 561 empresas utilizadoras de computadores, localizadas na República Checa, França, Alemanha, Itália, Espanha, Polónia e Reino Unido. Após analisar a conjuntura sectorial e as principais conclusões do estudo (ver Parte I do estudo no Portugal Têxtil), a segunda parte foca as questões relacionadas com os principais entraves que existem actualmente e as perspectivas futuras do comércio electrónico na indústria têxtil e de vestuário. Barreiras à adopção do comércio electrónico As principais barreiras para a adopção de comércio electrónico na indústria têxtil e de vestuário da União Europeia (UE) estão fundamentalmente relacionadas com as tendências negativas do mercado e com a crescente concorrência que afecta em geral a capacidade de investimento ao nível destes sectores. As pequenas e médias empresas nesta indústria podem sentir dificuldades com a introdução de novas tecnologias, não apenas por questões financeiras, mas também pela falta de competências técnicas para gerir novas formas de procedimento. Para além destas questões, o baixo nível de informatização e a diversidade de equipamento tecnológico são constrangimentos para a adopção do comércio electrónico. No âmbito desta análise, as empresas que referiram que o comércio electrónico não desempenha um papel nas suas operações foram questionadas no sentido de identificarem quais eram as principais barreiras para a adopção de e-business. A maior parte justifica esta posição com a pequena dimensão da empresa. A perspectiva que surge destes dados revela que a estrutura da indústria possui um forte impacto na introdução das aplicações de comércio electrónico. Independentemente do sector de actividade, a dimensão da empresa é a barreira fundamental apontada pelas empresas questionadas pelo e-Business W@tch em 2005. Outras razões apontadas como relevantes pelas empresas estão relacionadas com o preço e a complexidade da tecnologia envolvida. Os problemas legais associados e a dificuldade em encontrar fornecedores de TIC de confiança não são sentidas como as principais razões para a não introdução deste tipo de aplicações pelas empresas. Observando com mais pormenor as preocupações relacionadas com a segurança, as empresas que participaram no questionário consideram que os problemas mais comuns associados com as tecnologias de informação são: falhas nos serviços providenciados por terceiros, vírus informáticos, spyware (ex.: aplicações do tipo trojan horse), internet worms (vírus que se propaga entre máquinas da mesma rede, utilizando. uma vulnerabilidade nelas presente) e spam. A utilização do firewall é a medida de segurança mais comum. Uma política de segurança específica das tecnologias de informação e um plano de contingência para recuperação em caso de acidente grave foram implementados pelas empresas de maior dimensão, mas não são prática corrente entre as empresas mais pequenas. Perspectiva sobre desenvolvimentos futuros Os dados da investigação indicam que enquanto as grandes empresas têxteis e de vestuário se encontram em sintonia com a média dos sectores produtivos no que se refere às suas operações de TIC, diversas pequenas e médias empresas não conseguem explorar actualmente as oportunidades relacionadas com o comércio electrónico. A ligação básica às TIC e as aplicações de rede mais comuns estão a tornar-se parte da prática do dia a dia. No entanto, a crescente concorrência internacional e as rápidas mudanças nas tendências de mercado vão forçar as empresas a adoptarem soluções mais eficazes e eficientes, em resposta a novos desafios estratégicos. No topo da lista de questões que afectam o desenvolvimento dos investimentos em TIC encontra-se a necessidade de gerir com eficiência e eficácia a cooperação e a interacção ao longo da cadeia de valor, incluindo o desenvolvimento de produtos concorrentes, subcontratação e outsourcing. Existem evidências que as empresas de maior dimensão estão cada vez mais a adoptarem sistemas ERP (Enterprise Resource Planning). Esta tendência deverá afectar a adopção por parte das empresas mais pequenas de soluções estruturadas para corresponder aos requisitos dos seus parceiros de negócio. As empresas mais pequenas poderão enfrentar dificuldades em deslocarem-se no sentido de estratégias de comércio electrónico mais desenvolvidas, devido a questões financeiras e de gestão. No entanto, quando os benefícios ultrapassarem os custos e/ou o cenário competitivo obrigue a uma reestruturação dos processos de gestão, deverão ser registados novos desenvolvimentos na adopção de TIC. As empresas participantes foram inquiridas no sentido de identificar a quantidade total de investimentos realizados em hardware e software no ano fiscal anterior ao inquérito. É interessante evidenciar que os dados (considerando o número de empresas participantes) indicam que em termos gerais, as empresas têxteis e de vestuário investem cerca do dobro do valor total para os 10 sectores apresentados no estudo. Isto deve-se ao significativo investimento realizado pelas empresas de maior dimensão, as quais investem dez vezes mais do que as empresas de média dimensão. O estudo realizado evidencia que em relação ao investimento futuro em TIC a atitude das empresas mais pequenas é mais positiva do que a dos seus parceiros maiores, no que diz respeito a decisões de investimento. Tal pode ser explicado pelo facto das empresas pequenas estarem inclinadas a tentar reduzir as lacunas tecnológicas e consequentemente é pouco provável que estas empresas reduzam gastos que são actualmente muito limitados, enquanto que as empresas de maior dimensão possuem mais recursos para investir em TIC. Por conseguinte, apesar da actual crise sectorial, a maior parte das empresas pretendem ainda manter, ou até mesmo aumentar, os seus investimentos em TIC.