Análise ao comércio electrónico na ITV – Parte I

O nível de actividade do comércio electrónico (e-business) na indústria têxtil e de vestuário encontra-se abaixo da média em relação a outros sectores de actividade, em todas as quatro dimensões medidas pelo e-Business W@tch. O índice de e-business sectorial, indicador composto pelo nível de adopção de tecnologias de informação e comunicação (TIC) e pela intensidade do comércio electrónico, está próximo dos níveis de sectores dos serviços tal como turismo e construção, mas abaixo dos sectores produtivos, de acordo com análise realizada pelo e-Business W@tch. O e-Business W@tch foi lançado pela Comissão Europeia (CE) e pela Direcção Geral da Empresa e Indústria, com o objectivo de monitorizar o desenvolvimento da maturidade do comércio electrónico ao longo de diferentes sectores da economia no âmbito da União Europeia, European Economic Area (Islândia, Liechtenstein e Noruega) e países em vias de aceder ao espaço comunitário. Desde Janeiro de 2002 que o e-Business W@tch analisa os desenvolvimentos ao nível do comércio electrónico nos sectores da indústria, finanças e serviços. O estudo actual foi o primeiro realizado especificamente sobre o comércio electrónico na indústria têxtil e de vestuário, desenvolvido com base nos estudos anteriores realizados em 2003 e 2004 sobre os sectores têxtil, vestuário e calçado. Este estudo foca as questões específicas de maior relevância para o sector em causa, apresentando casos de estudo sobre como as empresas utilizam as TIC nesta indústria, no âmbito das suas actividades de negócio. O estudo foi realizado através de entrevistas realizadas a 561 empresas utilizadoras de computadores, localizadas na República Checa, França, Alemanha, Itália, Espanha, Polónia e Reino Unido. Os sete países comunitários abrangidos pelo estudo contribuem para cerca de 80% do volume de negócio da indústria têxtil e de vestuário na UE. A indústria têxtil e de vestuário é dominada por empresas de pequena e média dimensão. A pequena dimensão da empresa é referida por muitas empresas como uma das razões principais para justificar o facto do comércio electrónico não desempenha um papel relevante nas suas actividades. Os dados revelam também uma clara dicotomia entre a própria indústria. Enquanto que as empresas de média e grande dimensão aparentam estar razoavelmente bem equipadas com infra-estruturas ao nível das TIC, as pequenas e micro empresas ainda evidenciam falhas significativas. No entanto, de acordo com as novas evidências encontradas em relação às descobertas apresentas nos estudos sectoriais de 2004, existem indícios de que a utilização de sistemas de TIC nas grandes empresas têxteis se encontra em sintonia com as taxas de adopção registadas entre as empresas de grande dimensão dos sectores de produção mais avançados. Exemplos deste caso são a implementação de sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) e SCM (Supply Chain Management). Aparentemente, uma grande parte das grandes empresas têxteis assumiu a liderança no sentido da integração da cadeia de fornecimento e do comércio on-line com parceiros comerciais. Os dados do estudo sobre as competências ao nível das TIC evidenciam o limitado reconhecimento das competências e recursos necessários para explorar a inovação tecnológica e apoiar a reorganização dos processos de trabalho. A disponibilidade de recursos qualificados com competências especializadas é limitado e, ainda mais relevante, existem poucos investimentos neste sentido. Esta situação poderá representar uma questão crítica para a indústria europeia no seu foco na inovação tecnológica, reorganização de processos e luta para permanecer competitiva no mercado internacional. Os resultados sobre a inovação ao nível do produto e comparações com outros sectores confirmam que a indústria têxtil e de vestuário da UE possui segmentos de elevado valor acrescentado (ex.: novos materiais, têxteis técnicos, moda e vestuário de desporto) onde o design e a investigação e desenvolvimento (IeD) são factores competitivos importantes. Este tipo de inovação utiliza de forma mais intensa o capital humano (ao nível do design e do marketing) do que as tecnologias de informação. Por outro lado, a importância das TIC é muito evidente ao nível de inovações do processo: 28% das empresas (em termos de postos de trabalho) introduziram novos processos apoiados por TIC em 2004. Conclusões A adopção do e-business nesta indústria é fundamentalmente orientada pela procura. A pressão por parte de parceiros na distribuição e no negócio ao longo da cadeia de fornecimento são as principais motivações. As empresas estão conscientes das vantagens competitivas relacionadas com o comércio electrónico, a mais importante das quais é a possibilidade de aumentar a eficiência e a eficácia numa estrutura organizacional muito complexa e fragmentada. As principais barreiras para a adopção do comércio electrónico nesta indústria estão relacionadas com a tendência negativa do mercado e com o aumento da concorrência, que afectam a capacidade geral de investimento ao nível do sector na UE. Fundamentalmente neste sector, as empresas de pequena e média dimensão enfrentam dificuldades com a introdução de novas tecnologias. Muitas empresas carecem não apenas da capacidade financeira para realizar os investimentos, mas também das competências sobre como concretizar e gerir as mudanças organizacionais. Para além destas questões, o nível limitado de informatização e a diversidade de equipamento tecnológico instalado são constrangimentos para a adopção do comércio electrónico. No entanto, a crescente concorrência internacional e as rápidas mudanças nas tendências do mercado vão provavelmente forçar as empresas a adoptar soluções mais eficientes na resposta a estes novos desafios estratégicos. Considerando o sector em termos genéricos, as principais razões que vão provavelmente motivar a adopção de comércio electrónico, são as seguintes: Acelerar os fluxos de informação é fundamental num sector onde as tendências de mercado estão a forçar as empresas no sentido da produção de pequenos lotes, tempos de produção mais curtos e proximidade ao consumidor final; Aumentando a eficiência e a eficácia da cadeia de fornecimento. Utilizando o comércio electrónico para diminuir o custo e as taxas de erro nas transacções comerciais pode ser um motivo de fomento para o comércio electrónico. Devido ao elevado número de transacções e trocas ao longo da cadeia de valor, até mesmo as pequenas melhorias se podem tornar poupanças significativas. Melhorando os processos internos e adoptando os padrões das empresas de topo. Através da implementação de aplicações de comércio electrónico nas áreas da produção, logística e administração. Alargando o alcance do mercado. A Internet oferece às empresas mais pequenas a oportunidade de tornar a sua oferta conhecida a um público-alvo mais alargado. A melhoria do serviço ao cliente pode ser concretizada através de entregas mais rápidas, menor nível de inventário nos armazéns da distribuição, introdução de sistemas de aprovisionamento automáticos, e melhor comunicação. A segunda parte do estudo vai focar as questões relacionadas com os principais entraves que actualmente são colocados ao sector na adopção de soluções de comércio electrónico e as perspectivas para o futuro.