Ana Teixeira Studio consolida aposta no upcycling

Com uma nova coleção acabada de lançar, a marca portuguesa transforma peças em segunda mão e têxteis deadstock em vestuário, num modelo de produção em pequena escala que reaproveita até 95% dos materiais.

[©Ana Teixeira Studio]

Criado por Ana Teixeira em abril de 2023, após a conclusão da licenciatura em Design de Moda, o projeto surgiu na sequência do desenvolvimento de uma coleção baseada em upcycling, que despertou interesse em mercados e lojas independentes. «Para mim, o upcycling não é apenas uma técnica de produção, mas uma forma de questionar o modelo tradicional da indústria da moda e demonstrar que é possível criar peças contemporâneas e de elevada qualidade a partir de materiais já existentes», explica Ana Teixeira ao Portugal Têxtil.

A nova coleção, intitulada B2B, explora, através de 13 coordenados e acessórios, «a transição entre estrutura e liberdade, entre o universo profissional e o ambiente noturno», sendo construída «em torno de peças transformáveis» que refletem «as diferentes identidades que assumimos ao longo do dia e a forma como a roupa acompanha essa mudança». A B2B sucede à Green Mirror, a primeira proposta da marca, que, segundo a fundadora, «teve uma receção muito positiva e permitiu validar o conceito junto do público». Apresentada na Paris Fashion Week em 2024, permitiu chegar «a novos públicos e clientes internacionais», segundo Ana Teixeira.

[©Ana Teixeira Studio]
Toda a produção é desenvolvida internamente pela designer, com exceção de serviços externos para processos específicos, como a aplicação de ilhoses ou componentes metálicos. As peças são produzidas exclusivamente através de upcycling ou com têxteis deadstock, obtidos em lojas de segunda mão e através de doações. A seleção tem em conta a qualidade e estado de conservação do têxtil e dos aviamentos, a composição dos materiais e a origem da produção.

Segundo Ana Teixeira, entre 90% e 95% dos materiais são reaproveitados. Os restantes correspondem sobretudo a componentes técnicos, como entretelas, ilhoses, molas ou fechos, sendo que, sempre que possível, também estes elementos são reutilizados. «Cada peça resulta de um processo de desconstrução e reconstrução pensado individualmente, procurando sempre garantir qualidade, funcionalidade e durabilidade. O objetivo nunca é esconder a origem dos materiais, mas dar-lhes uma nova identidade e valor através do design», esclarece a designer. Além das coleções, a marca desenvolve peças por encomenda a partir de vestuário fornecido pelos próprios clientes.

[©Ana Teixeira Studio]
O público-alvo é constituído essencialmente por consumidores que valorizam design, criatividade e consumo consciente, procurando «peças únicas, produzidas em pequena escala». Os principais canais de distribuição são mercados de design, pop-ups, eventos presenciais, bem como a loja online.

Relativamente ao futuro, Ana Teixeira revela que a internacionalização é um dos objetivos, mantendo «um modelo de crescimento sustentável e controlado». Entre os planos está também o desenvolvimento de colaborações com empresas têxteis portuguesas, através do aproveitamento de excedentes têxteis ou de projetos colaborativos.

«O maior desafio é demonstrar que sustentabilidade e design podem coexistir sem comprometer a criatividade, ao mesmo tempo que se gere uma marca independente com recursos limitados», conclui a fundadora da Ana Teixeira Studio.