Amarras Relançada

A marca que foi percursora do estilo navy no vestuário em Portugal há quase duas dezenas de anos, a Amarras, está a ser relançada pela Loucartex, uma empresamalheira de Barcelos, que adquiriu os direitos exclusivos de produção e comercialização, e já está a colocar peças da colecção de Verão. «Para já ainda é uma pequena colecção para nos apresentarmos nesta estação, mas num futuro próximo queremos passar das duas colecções por ano para seis, e daqui a duas estações introduzir uma colecção de criança», avança António Fernandes, sócio-gerente da Loucartex, ao PortugalTêxtil (PT). Desta forma a empresa, que quer ter uma marca, evita assim «o hiato resultante da criação de uma marca de raiz», prescindindo dos anos que demora a sua afirmação no mercado. Esta afirmação já se fez no início do percurso, pois embora «elaborando acções promocionais limitadas, a marca impôs-se no mercado, fruto da necessidade daquilo que foi um nicho de mercado e da sua correcta satisfação», adianta António Fernandes, e «esse nicho converteu-se num portentoso consumidor». «A Amarras acompanhou o seu mercado alvo, mas não integralmente», acrescenta, pois «os métodos de gestão da marca redundaram num abrandamento da procura pelo consumidor», o que explica o quase desaparecimento da marca, mas esse consumidor «tem vindo a demonstrar reconhecimento positivo e imediato da marca, porventura a mais-valia de excelência». O processo de relançamento assim auspicioso permite ainda ao empresário adiantar que pretende investir mais na possibilidade total look da colecção, um investimento que já se fazia inicialmente mas mais timidamente, passando das malhas e acessórios para os blusões e as gangas, entre outros artigos. O canal de retalho escolhido para já é o multi-marca, e a internacionalização está em cima da mesa, proposta também pelo empresário espanhol detentor da marca, mas está a ser vista «cautelosamente», e «só será posta em prática depois de consolidados todos os meios de produção, distribuição e marketing». Mas neste âmbito complementa que «o mercado interno é o melhor trampolim para criar as condições necessárias para representar a marca condignamente noutros mercados». O design é da responsabilidade conjunta de uma equipa de estilistas espanhóis e da Loucartex, que admite recorrer à subcontratação para assegurar a colecção. A empresa iniciou actividade em 1987, «produzindo em CMT para reconhecidas empresas», tendo sido adquirida em 1992 pelos actuais sócios – António Fernandes, António Araújo e Manuel Sousa Carvalho. Setenta por cento da produção é exportada, sobretudo para a Inglaterra, Alemanha, Suécia e Holanda, justificada «pela capacidade económica deste mercados», onde os clientes se fidelizaram à «fiabilidade» no cumprimento de prazos e qualidade de serviço e de produto da empresa de Goios, em Barcelos. A Loucartex tem actualmente 56 trabalhadores, e apresentou um volume de negócios de 4,2 milhões de euros em 2005, contra 4,5 milhões em 2004, tendo sido «o primeiro ano em que apresentámos um decréscimo deste indicador, devido sobretudo à conjuntura económica desfavorável», complementa António Fernandes, ao PT.