Altri enfrenta protestos em Espanha

A empresa portuguesa anunciou a intenção de construir uma fábrica de produção de fibras têxteis em Lugo, mas o projeto está agora a ser contestado pela população, que teme a contaminação dos recursos hídricos.

[©Altri]

O Projeto Gama, que está em desenvolvimento desde 2020, prevê, segundo a página online da Altri, que anualmente seja produzido «um máximo de 400 mil toneladas de fibras solúveis, matéria-prima para aplicações têxteis, das quais 200 mil toneladas serão diretamente destinadas à produção de liocel e outras fibras têxteis».

Embora a construção já esteja em andamento há alguns anos, os detalhes foram oficialmente publicados no Diário Oficial da Galiza a 3 de março deste ano, desencadeando uma reação negativa da comunidade local, revela a Modaes.

Os protestos dos moradores focam-se em duas questões principais: o destino da fibra celulósica utilizada para produzir o liocel e a quantidade de água contaminada que o processo de produção irá gerar. A plataforma Ulloa Viva, uma das principais vozes contra o projeto, acusa a Altri de planear uma «fábrica de celulose disfarçada», criticando a falta de clareza sobre o uso das 200.000 toneladas de pasta que não serão convertidas em liocel.

Em resposta, o diretor do projeto, Bruno Dapena, afirmou, em declarações à ABC, que o foco da fábrica é exclusivamente na indústria têxtil e não na produção de pasta de papel. «A celulose é um componente da madeira e os processos e impactos são diferentes dos da pasta de papel, que é o que provavelmente as pessoas têm em mente devido a outras referências próximas», explicou.

Segundo Bruno Dapena, o projeto prevê inicialmente a produção de 250.000 toneladas de pasta de celulose, das quais 190.000 toneladas serão destinadas à indústria têxtil, enquanto as restantes 60.000 toneladas serão transformadas em liocel. O objetivo final é alcançar a produção de 400.000 toneladas de pasta de celulose para 200.000 toneladas de liocel.

Outro ponto de controvérsia é a utilização de água. A fábrica necessitará de até 46 milhões de litros de água do rio Ulla, sendo que 30 milhões serão devolvidos ao rio. A Altri garante que o processo não será poluente, apesar da água devolvida ter uma temperatura até três graus superior. A plataforma Ulloa Viva, contudo, denuncia que a quantidade de água necessária para o projeto equivale ao consumo total da província de Lugo, o que irá duplicar a atual utilização de água na região.

Por fim, há preocupações sobre o aumento da plantação de eucaliptos na região, que serão a matéria-prima para a produção de celulose. Diversos grupos alertam que não há eucaliptos suficientes na área para responder à procura do projeto, o que pode levar a uma proliferação descontrolada desta planta.

Na comunicação dos resultados trimestrais, onde refere um crescimento de 10% no resultado líquido nos primeiros três meses de 2024, para 21,6 milhões de euros, o grupo Altri indica simplesmente que «em relação ao projeto Gama, na Galiza (Espanha), que prevê a construção de uma unidade industrial de raiz, para a produção de pasta solúvel e fibras têxteis sustentáveis, este encontra-se em tramitação da licença ambiental integrada, condição essencial para a tomada de decisão final de investimento».