Alternativas aos PFAS chegam ao mercado

Face à pressão legislativa para retirar os químicos nocivos da cadeia produtiva, estão a chegar ao mercado novos acabamentos e membranas com repelência à água e nódoas mais amigas do ambiente.

[©Pixabay-Anita S.]

Os mais recentes desenvolvimentos em alternativas a PFAS (substâncias perfluoroalquiladas), chamados “químicos permanentes”, estão a revelar-se promissores para serem utilizados na produção de vestuário de performance, de acordo com o estudo “Textile and clothing brands face pressure to innovate as legislation builds against the use of PFASs, or ‘forever chemicals’” da Textiles Intelligence.

As marcas de vestuário de performance estão a enfrentar um enorme desafio numa altura em que os legisladores em todo o mundo estão a reforçar as leis e a propor novos pacotes legislativos para eliminar os PFAS, uma família de mais de 10 mil compostos fluorinados sintéticos que são usados pelas suas características únicas.

Os PFAS são habitualmente usados na produção de acabamentos, tratamentos e membranas duráveis de repelência à água e o seu desenvolvimento permitiu aos produtores de vestuário de performance produzirem vestuário impermeável de elevada performance a grande escala e a um custo relativamente baixo.

Contudo, lembra a Textiles Intelligence, há cada vez mais provas científicas que mostram que os PFAS podem ter efeitos nocivos no ambiente e na saúde humana. «Em particular, concluiu-se que os PFAS persistem no ambiente e são biocumulativos, altamente móveis e tóxicos. Tudo isso levou a uma série de atividades legislativas direcionadas para eliminar os PFAS», explica.

Como resultado das futuras regulamentações, as marcas de vestuário de performance estão a ser pressionadas para desenvolver substâncias alternativas que forneçam os mesmos níveis de performance dos PFAS, «e rapidamente», sublinha a Textiles Intelligence.

Até agora, muitas das substâncias alternativas que estão a ser comercializadas mostraram-se incapazes de fornecer os níveis de repelência ao óleo necessários para competirem com os PFAS. E apenas algumas são capazes de fornecer proteção eficiente contra abrasão e nódoas.

Há, no entanto, inovações promissoras a chegar ao mercado nesta área. Alguns dos acabamentos, membranas e tratamentos sem PFAS alegam propriedades avançadas comparáveis, se não melhores, dos que são produzidos com PFAS.

A Textiles Intelligence enumera alguns exemplos destes desenvolvimentos, nomeadamente a membrana Eco Pur da Dimpora, que é produzida com uma composição líquida baseada em poliuretano. A membrana, refere, evita a penetração de humidade na forma de moléculas de vapor de água, não interfere com o conforto do vestuário em que é aplicada e tem elasticidade inerente, o que facilita a liberdade de movimento.

Também a empresa de químicos Archroma está a ser bem-sucedida com um sistema durável de repelência de água batizado Rain Away, que fornece alegadamente um nível de performance similar aos dos acabamentos produzidos com PFAS.

O sistema, que é adequado para vestuário e equipamentos de outdoor, forma um filme na superfície do têxtil e fornece repelência à água, resistência à abrasão, resistência a raios ultravioletas e um toque suave, ao mesmo tempo que não interfere com a respirabilidade.

A Textiles Intelligence ressalva, contudo, que embora estas inovações sejam promissoras como alternativas viáveis a membranas impermeáveis respiráveis e acabamentos repelentes de água duráveis feitos com PFAS, é necessário mais investimento em investigação e desenvolvimento em alternativas inovadoras «e as marcas devem acelerar os seus esforços ou arriscarem-se a enfrentar dificuldades legais e danos à sua reputação».