Alternativas ao elastano ganham protagonismo

A dificuldade na hora de reciclar e a libertação de microplásticos na lavagem doméstica está a fazer com que os produtores explorem alternativas ao elastano, o que poderá levar à disrupção do mercado mundial desta fibra.

Evo by Fulgar [©Fulgar]

De acordo com a Textiles Intelligence, as fibras de elastano conferem níveis superiores de conforto e elasticidade aos têxteis e vestuário e, como tal, dominaram o mercado das fibras com elasticidade, sendo dominantes em áreas como o athleisure, vestuário de compressão, collants, vestuário modelador, sportswear, roupa interior e vestuário de trabalho. São ainda usadas na produção de têxteis para a área da medicina, incluindo ligaduras e fraldas.

Contudo, explica a empresa de informação de mercado no estudo “Stretch fibres: expanding horizons beyond elastane”, há uma grande preocupação com as dificuldades de reciclagem dos produtos têxteis e de vestuário feitos com misturas contendo elastano. Geralmente, as percentagens de fibras de elastano são pequenas, mas apenas 1% de elastano numa t-shirt de algodão é suficiente para que a peça seja recusada numa unidade de reciclagem.

«É crítico que as fibras de elastano sejam removidas de uma peça de vestuário para facilitar a reciclagem efetiva dos resíduos têxteis no fim da sua vida útil. Mas a remoção é complicada devido aos solventes existentes atualmente para separar fibras de elastano de outras fibras serem tóxicos e perigosos no ambiente», refere a Textiles Intelligence, dando como exemplo a dimetilformamida e a dimetilacetamida.

A somar a esta dificuldade na reciclagem, há ainda as provas cada vez maiores de que as fibras de elastano contribuem para a poluição por microfibras – alegadamente, os têxteis com fibras de elastano tendem a libertar mais microfibras do que os que são feitos com outras fibras, além de que a libertação é considerada alarmante nas lavagens domésticas.

Sorona [©Sorona]
Em resposta a estas preocupações, os produtores de têxteis e vestuário estão a explorar alternativas ao elastano que sejam mais compatíveis com as atuais tecnologias de reciclagem e menos propensas à libertação de microfibras. Essas alternativas incluem fibras com elasticidade feitas a partir de materiais de base biológica, como a Sorona, uma fibra produzida pela atualmente pela Covation Biomaterials a partir de milho, ou a Evo, a fibra da Fulgar que feita com um biopolímero derivado de óleo de rícino.

«É provável que os futuros avanços no desenvolvimento de fibras com elasticidade alternativas coloquem em risco o mercado mundial de elastano – e podem causar uma disrupção significativa», aponta a Textiles Intelligence, que sublinha que, para assegurar o futuro das fibras de elastano «será fulcral investigação e desenvolvimento. Em particular, a inovação em tecnologias para reduzir a libertação de microfibras de têxteis com fibras de elastano será essencial e o desenvolvimento de métodos ambientalmente sustentáveis para separar o elastano dos têxteis vai revelar-se crítico».