Durante quatro dias, Paris foi o palco de eleição para a apresentação das mais recentes tendências para a próxima estação fria. Os desfiles de alta-costura que terminaram na passada quinta-feira oscilaram entre a ostentação das grandes casas de moda mundiais e o talento de jovens estilistas num contraste vanguardista e moderno. Num certame em que apenas estiveram presentes seis das dez apelidadas maisons, foi dada a responsabilidade aos novos talentos de assegurar o essencial do programa, com colecções revivalistas e originais, deixando no ar questões pertinentes sobre o actual e futuro papel conferido à alta-costura mundial.Vivendo e revivendo crises esporádicas desde os anos oitenta, a alta-costura tem todavia lucrado com o aparecimento de novos clientes oriundos das economias asiáticas e do leste europeu que tem incrementado um novo apetite por roupas e acessórios de marca. E os números assim o revelam. Só em Abril, a LVMH, o maior grupo de luxo do mundo, do qual fazem parte as casas Dior e Louis Vuitton, anunciou vendas no valor de 3,8 mil milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, registando assim um aumento de 7 por cento em relação ao ano transacto. Destaques (inter)nacionaisDo lado das grandes casas, nomes como Christian Lacroix, Karl Lagerfeld para a Chanel e Jean-Paul Gaultier foram os destaques deste evento.A celebrar 60 anos, Christian Dior apresentou um desfile histórico, na Orangerie de Versalhes, que incluiu 40 modelos, com destaque para Gisele Bündchen, Naomi Campbell, Amber Valetta e Linda Evangelista, que figuraram como obras de arte criadas por mestres da pintura. John Galliano, que está à frente da casa há dez anos, viajou com a sua equipa de trabalho para Sevilha, em Espanha, para colher referências "in loco" de Goya e Velásquez, mas também encontrou inspiração nos renascentistas como Boticelli, além dos génios modernistas. Desta forma, apresentou uma colecção particularmente fantasiosa e imperial. Christian Lacroix, que comemora vinte anos, sublinhou a elegância barroca. Através de uma colecção deslumbrante, o estilista emocionou os convidados com um desfile de inspirações orientais, com tafetás, sedas, veludos, plumas, volumes e até um vestido de noiva amarelo, feito de patchwork e flores multicoloridas. Jean-Paul Gaultier apresentou príncipes e marajás, que esbanjaram a sua elegância luxuosa e o seu rigor militar, e voltou a surpreender ao trocar a tradicional noiva pelo noivo. Paralelamente, o estilista alemão Karl Lagerfeld deu asas aos seus modelos, reinventando o estilo que fez da Chanel um ícone de elegância. Uma chuva torrencial atrasou o desfile, que acabou por se realizar num parque nas margens do rio Sena. Modelos encapuzadas e com grandes óculos de sol percorreram a passerelle exibindo clássicos casacos três quartos e vestidos com o novo adorno de penas. Relativamente aos "novos" talentos presentes nesta Semana da Moda de Paris, foi dado destaque à colecção de Gustavo Lins que apresentou uma ponte entre a moda e a arte, onde o quimono esteve em evidência. A prestação do português Felipe Oliveira Baptista, que colocou em cena silhuetas assimétricas e coloridas – no primeiro dia dos desfiles -, foi outro dos grandes destaques deste evento.









