Algodão orgânico soma e segue

Para a época 2021/2022, o Programa Agrícola do Organic Cotton Accelerator – fundado pela Inditex, H&M, Kering e C&A, entre outras empresas, em 2017 – vai envolver quase 80 mil agricultores de algodão orgânico, o que representa um crescimento superior a 350% face aos 22 mil da temporada anterior.

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De acordo com o mais recente relatório de Impacto do Programa Agrícola do Organic Cotton Accelerator – um grupo de parceiros industriais com o objetivo de promover o potencial do algodão orgânico junto de agricultores, marcas e planeta em geral –, na época 2020/2021, assistiu-se a um aumento de 180% no número de agricultores em comparação com a temporada anterior, que ganharam em média 21% mais no lucro líquido do seu algodão por hectare do que seus congéneres locais não-orgânicos. «O algodão orgânico é a chave para uma indústria de moda mais sustentável e assistimos a uma procura cada vez mais forte», afirma Bart Vollaard, diretor-executivo da OCA. «Mais agricultores estão a migrar para a agricultura orgânica e mais marcas e retalhistas globais estão a expandir o aprovisionamento de algodão orgânico e a desenvolver o apoio necessário para que os agricultores orgânicos cresçam», acrescenta.

A retalhista dinamarquesa Bestseller, por exemplo, estabeleceu como meta adquirir 30% de algodão orgânico até 2025. Já o grupo H&M introduziu o algodão em mudança para orgânico no seu portfólio de materiais sustentáveis ​​com o objetivo de apoiar os agricultores durante o período de transição e acelerar o processo de acreditação do sector de algodão orgânico. «Enquanto membro fundador do OCA, temos trabalhado conjuntamente para construir uma cadeia de aprovisionamento sustentável de algodão orgânico e apoiar financeiramente os agricultores», explica Hitesh Sharma, diretor do programa de materiais para o algodão da H&M, salientando que «como um dos maiores consumidores de algodão orgânico, é importante que o grupo H&M invista no desenvolvimento do sector».

O relatório compartilha estudos de caso de agricultores que, com apoio do Programa Agrícola da OCA, estão a plantar algodão orgânico e a retirar benefícios económicos.

Ritesh Champalal Dhiran [©OCA]
É o caso de Ritesh Champalal Dhiran, que começou a plantar algodão orgânico em 2008 e, na última temporada, colheu mais de 5 mil quilogramas na sua quinta de 3,6 hectares, por 3.315 euros, além de ter recebido um prêmio de 294 euros por parte da organização. «Acredito que se os agricultores de algodão convencional desenvolverem esforços para a transição para métodos orgânicos, vão resolver muitos dos seus desafios, especialmente aqueles relacionados com a degradação da saúde do solo e baixas receitas devido à quebra do rendimento das colheitas», revela o agricultor de Maharashtra.

Para a temporada de 2020/2021, o quarto ano do programa, o Organic Cotton Accelerator contou com 6 marcas, 10 parceiros e 22.146 agricultores de cinco estados indianos. Na corrente época, o OCA anuncia que está a trabalhar com «10 retalhistas e marcas, 11 parceiros e um total de 79 mil agricultores em 6 estados indianos, sendo que 58 mil agricultores são certificados orgânicos e 21 mil em processo de conversão».

Plantar no presente para colher no futuro

Na sua “Estratégia 2030”, a organização prevê alargar o raio de ação além da India para incluir o Paquistão, que identifica como «a próxima oportunidade» onde o Programa Agrícola «poderá fazer a diferença». Esta estratégia define como o OCA pretende acelerar a mudança sistemática com foco em cinco pilares: resiliência e meios de subsistência dos agricultores, disponibilidade e diversidade de sementes, escalabilidade da agricultura orgânica, dados sociais e ambientais robustos a nível das quintas e abordagem colaborativa do sector.

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«O OCA une o sector através da cadeia de aprovisionamento para capacitar os agricultores, combinar a oferta com a procura e deixar um planeta mais saudável para as gerações futuras», resume Bart Vollaard.

Segundo o diretor-executivo do Organic Cotton Accelerator, o algodão convencional representou 25% da produção global de fibras em 2019. Esta matéria-prima é também «uma cultura quimicamente intensiva, agravada pela grande maioria (99%) de algodão produzido atualmente por métodos não-orgânicos. Os métodos agrícolas convencionais contribuem para a mudança climática, libertando a maior parte do óxido nitroso que existe, um gás que tem 300 vezes o efeito de aquecimento do dióxido de carbono», garante.t