Alentejo planta algodão

Em 2001, no primeiro ano de produção desta cultura no Alentejo, alguns agricultores conseguiram obter rendimentos líquidos da ordem dos três mil euros por hectare, o que torna o algodão uma das culturas mais rentáveis em Portugal. No ano passado cultivaram-se 213 hectares, que proporcionaram uma produção de 600 toneladas. Este ano a produção deve rondar as 1500 toneladas. Apesar de alguns produtores terem conseguido obter três mil euros por hectare, o rendimento médio líquido fica-se pelos 1250 euros, sendo que a produtividade média é de três toneladas por hectare. Na opinião de Maria Josefa Ferreira, técnica da Cotslax, a empresa privada portuguesa que está a conduzir a implantação da cultura em Portugal, “o algodão é uma cultura muito rentável”. O facto de gerar rendimentos líquidos da ordem dos três mil euros por hectare torna o algodão numa cultura com grandes potencialidades económicas. “O algodão está ao nível da beterraba, sendo as duas culturas mais rentáveis em Portugal neste momento” acrescenta Josefa Ferreira. Por esta razão e pelo facto da cultura do algodão poder ser desenvolvida nas regiões mais desertificadas, os agricultores alentejanos estão a mostrar grande interesse nesta matéria-prima. Isto prova que o maior obstáculo ao desenvolvimento da cultura de algodão não é a inexistência de condições climáticas e hídricas, mas sim a escassa quota atribuída a Portugal que se fica pelas 1500 toneladas. A zona do Alentejo tem potencialidades para “dentro de cinco a 10 anos ter algodão em cerca de 10 mil hectares, que é o máximo que a cultura pode atingir no Alentejo”, adianta a responsável. Para além do Baixo Alentejo, em especial a zona de Ferreira do Alentejo e Beja, a região de Campo Maior reúne também as condições climáticas apropriadas para a cultura do algodão. A cultura de algodão é muito exigente já que necessita de condições climatéricas específicas, ou seja, “abaixo dos 15º centígrados não se desenvolve e acima dos 40º centígrados também não”, explica a técnica da Cotslax, o que implica que a sementeira só pode ser feita a partir de 20 de Março, podendo ir até ao final de Abril, sendo a colheita feita no final de Setembro. O resto do processo divide-se na recolha do algodão e no seu descaroçamento. A fibra está assim pronta para ser encaminhada para a fiação onde o algodão é transformado em fio que será posteriormente utilizado na indústria têxtil. É na verdade uma cultura bastante trabalhosa, pois necessita de máquinas específicas para o cultivo e apanha do produto, equipamentos que os nossos agricultores não costumam dispor. E o que acontece muitas das vezes é que a cooperativa espanhola que compra o algodão disponibiliza a maquinaria indispensável bem como os produtos para aplicar durante o desenvolvimento da planta. Muitos destes produtos não estão ainda homologados no nosso País. Mas, apesar destas dificuldades, o algodão é na verdade um produto muito rentável e muito subsidiado, o que leva vários agricultores a deixar de cultivar cereais para cultivarem algodão, mesmo com a ameaça de perder esses subsídios. Depois do aumento da quota de algodão para Portugal, a Cotslax, a empresa portuguesa que acompanha a instalação da cultura do algodão em Portugal, pretende construir uma fábrica de descaroçamento de algodão em Ferreira do Alentejo, com máquinas e técnicos de Espanha, adianta Joaquina Ferreira, técnica da Cotslax. O principal objectivo da abertura desta fábrica é abastecer as empresas têxteis nacionais com fibra de algodão produzido em Portugal. Mas, com “esta quota não dá para a fábrica laborar”, acrescenta a técnica. O Governo já está a negociar com a Comissão Europeia um aumento da quota portuguesa e não deverá ser difícil conseguir esse objectivo, até porque a Espanha e a Grécia são os únicos Estados-membros produtores de algodão.