Alemanha: uma nação nacionalista também na moda

Os alemães bebem vinho alemão, ouvem música alemã e vêem cinema alemão. As campanhas publicitárias incentivam o sentimento de nação como comprova o slogan da última – “Du bist Deutschland” (tu és a Alemanha). Também no exterior a imagem do país é promovida- “Deutschland- Land der Ideen” (Alemanha- o país das ideias). Uma das mais belas representantes da nação, Cláudia Schiffer, disse à revista inglesa Times que era tempo de eliminar os clichés existentes sobre a Alemanha e mostrar que «os alemães têm um sentido de humor e são muito criativos». Um dos eventos mais importantes está a acontecer na Alemanha- o Campeonato Mundial de Futebol 2006. Este evento constituiu mais um impulso para o sentimento nacionalista quando a todos foi pedido que recebem o mundo como se fosse um convidado na sua casa. A chanceler Angela Merkel é outro motivo da nova atenção recebida pelo país. Wolfgang Yoop afirmou na conferência da TextilWirtschaft intitulada “Young Professionals’ Day” que as palavras alemãs estão na moda nos EUA. Um novo design Estas mudanças fazem-se sentir também no sector da moda. Nomes já estabelecidos conquistam mais sucesso no estrangeiro. As marcas mais jovens movimentam-se com mais confiança e maior profissionalismo. Não se trata apenas de Wolfgang Yoop, já reconhecido internacionalmente, mas de nomes como Stephan Schneider, Bernhard Willhelm, Markus Lupfer, Frank Leder, Kostas Murkudis, Lutz Huelle e Dirk Schönberger, com clientes de Londres a Antuérpia e agora também bastantes apreciados na Ásia. No último ano, o Goethe Institut organizou em Tóquio uma exposição intitulada “Moda” onde se podia admirar criações destes e de outros designers alemães, entre os quais Sonja Kiefer. O cenário da moda alemã caracteriza-se agora por uma grande dinâmica. Avista-se o desenvolvimento de uma geração pós Jil Sander e Helmut Lang (mesmo que este último seja austríaco). Marcas como Aesthetic Industrie, Firma, c.neeon, Kaviar Gauche, Clemens en August ou Sissi Wasabi abandonam o centralismo de Berlim e distinguem-se pelo seu profissionalismo, design internacional, qualidade de produção, características com quais têm surpreendido o público nacional e internacional. Elke Giese, do Instituto Alemão de Moda, afirma que «o design alemão é cada vez mais observado no exterior. Este facto está relacionado com a procura de valor. Solidez e inteligência estão associadas à imagem do design alemão. O mito dos construtores alemães e a Bauhaus exercem aqui a sua influência». Uma estética novamente procurada. Os criativos partilham esta opinião. Carl Tillessen, da marca Firma, já com vários anos de experiência no vestuário de homem e que na na época passada se iniciou com na colecção de senhora, sustenta que «os retalhistas internacionais procuram um substituto de Helmut Lang e Jil Sander». A nova Berlim é outro dos factores que contribui para a renovada atenção dada ao país. O festival de cinema colocou a cidade mais uma vez na ribalta e as várias feiras de moda alimentam a ideia de local relacionado com a moda. Berlim pode tornar-se numa nova ponte entre a Europa do Norte e de Leste. Seriedade, objectividade e profissionalismo são os critérios mais frequentemente mencionados para caracterizar a moda alemã e o seu quase certo sucesso futuro. «Na minha opinião, o design alemão é tipicamente objectivo e racional», afirma Elke Giese. Johanna Kühl, da Kaviar Gauche, aponta uma mão-de-obra de qualidade e sólida como factor de sucesso. «Tornamo-nos mais profissionais, o que nós dá mais confiança para enfrentar a concorrência no mercado exterior». Outro factor decisivo para todas estas colecções é uma marca própria. Esta é também a opinião de Markus Brunner, da Aesthetic Industrie: «demos forma ao nosso sentimento e para isso desenvolvemos a nossa marca própria. Penso que é isso que fazem outros designers alemães como Stephan Schneider, Frank Leder e Dirk Schönberger. E é isso que os clientes apreciam». Um bom design, uma mão-de-obra de qualidade e credibilidade são os factores decisivos em todos os sectores, quer se fale de moda ou do sector automóvel. Embora o sucesso da indústria de moda alemã ainda esteja muito distante do sucesso da indústria automóvel alemã e do seu volume de negócios, está sem dúvida no caminho certo.