Segundo um estudo da empresa alemã de pesquisa de mercado GfK em colaboração com a Mastercard, a que a Reuters teve acesso, 99% dos adultos na Alemanha – onde mais de 70% das empresas ainda utilizam máquinas de fax – fazem compras online. Destes, 39% admitem comprar na internet pelo menos uma vez por semana. Este comportamento contrasta com a tradicional desconfiança alemã em relação a tendências tecnológicas, sublinhada por um estudo de 2022 da McKinsey.
Contudo, essa tendência parece ter mudado. Alvaro Pinilla, um advogado de 30 anos que recentemente decorou o seu novo apartamento em Berlim recorrendo apenas a compras online, explicou a mudança de comportamento. «É o conforto de não ter de sair de casa», afirmou à Reuters. «Também acho que os preços online são tão competitivos, ou até melhores, do que numa loja física», acrescentou.
O período de promoções da Black Friday e Cyber Monday, aliado à proximidade da época natalícia, deverá gerar picos nas vendas online. A principal associação de retalho da Alemanha, a HDE, prevê um total de 87,1 mil milhões de euros em vendas de comércio eletrónico este ano.
A pesquisa, que envolveu mais de 1.000 participantes, revelou que a moda é a categoria mais popular entre os consumidores alemães, com dois terços a comprar roupas e calçado online nos últimos 12 meses, o que representa um aumento significativo face aos 43% no início da pandemia, em 2020. «Habituar-me a comprar online foi algo que aconteceu durante a pandemia», confessou Alvaro Pinilla, destacando que ficou mais eficiente a encontrar o que procura.
Sarah Schedler, gestora de conteúdos de 29 anos, também é adepta das compras de vestuário online, justificando a preferência pela facilidade em encontrar rapidamente o que precisa. «Se algo está ao preço normal, geralmente coloco na minha lista de desejos e espero que entre em saldos», referiu, indicando que planeia substituir o seu portátil de 10 anos durante a Black Friday, tendo identificado boas ofertas. «Tenho a sensação de que os preços online são de alguma forma mais baixos, mas pode ser só impressão minha», refletiu.
Em quatro anos, as compras de supermercado online cresceram de 7% para 25%, enquanto a proporção de pessoas a adquirir produtos de cuidado pessoal na internet quase duplicou, passando de 18% em 2020 para 35% em 2024, segundo o GfK.
A Alemanha é, atualmente, o maior mercado internacional da Amazon, tendo representado um volume de negócios de 37,6 mil milhões de dólares para a empresa americana.
Os dispositivos móveis destacam-se como ferramenta de eleição para as compras online. Quase quatro em cada dez alemães preferem fazer compras pelo telemóvel, 10% utilizam tablets e metade opta pelo computador. «Grande parte das pessoas tem sempre o smartphone à mão… Isto facilita as compras espontâneas», justificou Peter Robejsek, diretor-geral da Mastercard Alemanha.
A HDE estima que quase 47 mil milhões de euros em compras foram gerados através de smartphones no último ano, representando 55% do total de vendas de comércio eletrónico no país, o que significa um novo recorde.



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