Alemães consomem com moderação

As vendas do retalho na Alemanha não aproveitaram devidamente a época natalícia, acusando uma nova quebra em Dezembro, enquanto uma nova subida da taxa de desemprego em Janeiro não deixa antever a tão desejada retoma do consumo. De acordo com os números provisórios corrigidos com as variações sazonais publicados pela Destatis (Gabinete Federal das Estatísticas), as vendas recuaram de 1,4% ao mês. A queda é da mesma ordem a preços constantes e a preços correntes. E sobrevém depois de uma descida de 1% ao mês registada em Novembro. Em relação a Dezembro de 2004, as vendas do retalho recuaram de 1,6% a preços constantes e de 1,2% a preços correntes, segundos os dados da Destatis. «Com um mês de Novembro já por si fraco, isto revela vendas de Natal ainda mais baixas do que aquelas indicadas pelos comerciantes», declara Holger Fahrinkrug, economista do banco UBS. Segundo a Destatis, uma das razões da diminuição das compras de Natal prende-se com os custos suplementares domésticos em electricidade e aquecimento. O aumento contínuo do preço do petróleo ao longo de 2005 traduziu-se numa explosão dos custos da energia, também para os lares. Outra razão reveladora da retenção dos consumidores: os fundos privados de pensão de reforma. A Federação do Comércio do Retalho HDE não corrobora do mesmo ponto de vista. «Enquanto que os comerciantes foram unânimes em afiançar um aumento do volume de negócios em relação ao ano precedente, a Destatis anuncia uma baixa em Dezembro», adianta a organização em comunicado. Os números provisórios da Destatis baseiam-se nos dados dos 5 Estados, que agrupam 79% do volume de negócios do sector. Sobre a totalidade do ano, as interpretações divergem igualmente. As vendas do retalho revelaram um aumento de 0,7% a preços constantes e 1,2% a preços correntes, segundo a Destatis. «O valor não é maus já que o poder de compra caiu 0,5% em 2005», sustenta Sylvain Broyer, analista do banco Ixis. Mas para a HDE, um aumento das vendas no ano transacto é irrealista. «O resultado (da Destatis) para 2005 não cola com a conjuntura», segundo a Federação, que sustenta uma evolução das vendas no retalho “no vermelho”. O moral dos consumidores tem-se mantido nos últimos tempos e uma ligeira retoma é esperada, mas apenas se a taxa crónica do desemprego baixar. No entanto, o número de desempregados ultrapassou a barreira dos 5 milhões em Janeiro, segundo os dados publicados pela Agência do Emprego.