África na mira das feiras têxteis

Em 2017, os salões Texworld, Apparel Sourcing e Texprocess irão estrear-se na Africa Sourcing & Fashion Week. O evento realiza-se na Etiópia, um dos novos mercados de sourcing para a indústria têxtil e vestuário mundial, que está a ganhar cada vez mais adeptos entre as marcas internacionais.

H&M, Asos, George at Asda, Calzedonia, Primark, Tesco e PVH (que detém a Calvin Klein e a Tommy Hilfiger) são algumas das empresas e marcas que já produzem na Etiópia. O país tem vindo a afirmar-se no mapa do sourcing internacional e, embora no ano fiscal 2015/2016 a indústria têxtil e vestuário tenha gerado, segundo o Ethiopian Textile Development Institute, um volume de negócios de apenas 78 milhões de dólares (cerca de 70 milhões de euros), para o futuro a meta, ambiciosa, é atingir um mil milhões de dólares. Para isso, o país está a construir parques industriais e, nos próximos 10 anos, antecipa a criação de 2 milhões de postos de trabalho (ver Etiópia no mapa do sourcing).

Este ponto de partida levou a Messe Frankfurt a expandir as suas feiras têxteis ao continente africano, no seguimento do acordo com a Trade and Fairs East Africa, que organiza a Africa Sourcing & Fashion Week. «Para nós, esta parceria marca o início das nossas atividades de feiras têxteis num continente muito interessante que se está a tornar cada vez mais importante para a indústria têxtil e cujos players irão tornar-se mais proeminentes», justifica, em comunicado, Olaf Schmidt, vice-presidente de têxteis e tecnologias têxteis na Messe Frankfurt.

A estreia dos certames da Messe Frankfurt – Texworld (tecidos), Apparel Sourcing (confeção) e Texprocess (tecnologia para a indústria de vestuário e materiais flexíveis) está programada para o próximo ano, integrada na sétima edição da Africa Sourcing & Fashion Week, em Adis Abeba. A edição de 2016 da feira está atualmente em curso, até ao dia 7 de outubro, e reúne cerca de 160 expositores internacionais, de países como Turquia, Quénia, Emiratos Árabes Unidos, Tanzânia, Sri Lanka, Índia, Itália e Alemanha, que apresentam uma oferta completa, desde tecidos e acessórios a vestuário, têxteis-lar e maquinaria.

«Devido à subida dos salários e ao aumento da procura interna na Ásia, assim como ao acordo Agoa [Lei para o Crescimento e Oportunidade de África] entre África e os EUA, o continente africano está a ganhar importância crescente para a produção têxtil. O Quénia e a Etiópia assumem um papel central nisso. A maior feira têxtil de África, a Africa Sourcing & Fashion Week, continua a crescer. Ao colaborar com a Messe Frankfurt e a sua Texpertise Network, este desenvolvimento positivo será acelerado», acredita Skander Negasi, diretor-geral da Trade and Fairs East Africa.

A Messe Frankfurt junta, assim, o continente africano ao seu portefólio, que em 2015 incluiu 50 feiras têxteis na Europa, América do Norte e Ásia e reuniu mais de 19 mil expositores e 465 mil visitantes profissionais.