Afinal o tamanho conta…

Em Portugal os centros comerciais atraem mais pessoas do que no resto da Europa, noticia a revista Exame. Esta situação deve-se essencialmente ao facto de em Portugal, os promotores terem apostado fortemente na vertente do lazer. Em mais nenhum shopping da Europa se vê tão grande variedade de restauração tradicional. No nosso país, os shoppings são ainda uma moda, tendo começado verdadeiramente a aparecer em 1985, aquando da abertura do Amoreiras, seguido depois por outra forte abertura em 1991, do CascaiShopping. Este conceito não atingiu ainda a maturidade do mercado americano, ou até mesmo nos países do Norte da Europa. Neste sentido, nos Estados Unidos, onde estas unidades existem há mais de 30 anos, está-se na fase de demolição dos velhos centros para a construção no seu lugar de novos conceitos. Assim sendo, o Colombo é um fenómeno que convém analisar, não fosse este o maior centro da Península Ibérica e o quinto do ranking europeu, possuindo o maior parque de estacionamento coberto, com 6400 lugares. Mas mais interessante do que isto, é que o Colombo é o centro que possui um maior tráfego com 35 milhões de visitantes por ano, e uma maior rentabilidade anual das lojas. À Exame, Zita Matias, directora-geral do centro Colombo, explicou o sucesso deste empreendimento com a conjugação de vários factores como a localização, dimensão do centro e das próprias lojas, a diversidade de oferta, a arquitectura, a qualidade e o conforto e a variedade de serviços ao cliente. Todos estes factores ajudam a que este centro tenha cerca de 100 mil visitantes por dia, um número inigualável mesmo a nível internacional. Como explica a responsável do Colombo, «o pontapé de saída foi dado pela visão da Sonae Imobiliária de que seria viável criar um centro comercial desta dimensão. No início promotores imobiliários, investidores e associações de centros estrangeiros questionavam como é que era possível haver em Portugal tantas insígnias para encher este espaço. Mas foi a adesão dos logistas nacionais e estrangeiros, que acreditaram que este seria um projecto de futuro, que esteve na génese do sucesso». Apesar de haver quem duvidasse da capacidade do centro de encontrar 425 lojistas, a um ano da inauguração, este já tinha 90% do seu espaço comercializado, estando no dia da abertura completamente cheio. Esta situação é explicada pelo facto de para muitas marcas, este ser um ensaio para a sua entrada no mercado português. Se a sua estreia no Colombo corresse bem, então fariam a aposta seguinte, acreditando no mercado português como um todo. «Para isto muito contribuiu o esforço realizado na atracção de novas marcas que fizeram do Colombo o seu laboratório de ensaio para a entrada no mercado português. Paralelamente, há sempre algumas insígnias que servem de motor a toda a comercialização. E nós arrancámos com 19 lojas âncora. Aliás, na nossa terminologia interna, as âncoras não se distinguem só pela dimensão, mas acima de tudo, pelo seu poder de captação de clientes. Estes dois factores foram e continuam a ser, um dos nossos pontos fortes», afirma Zita Matias. Actualmente, algumas dessas lojas já abriram lojas em Portugal apesar de muitos dos seus clientes se manterem fiéis à loja de origem. Muito do sucesso das lojas no Colombo, deve-se ao facto da dimensão das mesmas, permitirem uma apresentação e exposição mais extensiva do produto e apelar a um maior número de clientes. Zita Matias explica ainda que o sucesso dos shoppings em geral, em Portugal, se deve ao facto de estes não serem somente destinados ao comércio, mas também ao lazer. «O estilo de vida português é diferente do europeu e as alternativas a nível cultural são poucas e não são acessíveis a todas as bolsas. Neste sentido, os centros comerciais tiveram a virtude de se tornarem também em destinos de lazer para muitas famílias portuguesas». O Colombo dedica quase todo o piso superior ao lazer, incluindo a área de restauração com 64 unidades, os cinemas e o Fun Center, que é uma versão coberta da Feira Popular. Os acessos e a capacidade de parqueamento são mais dois pontos fortes do Colombo. Situado na zona central da cidade, tem uma circular à porta e é servida por vários meios de transporte público, nomeadamente uma entrada directa no Metropolitano. O seu parque de estacionamento, até hoje, também nunca se esgotou. Zita Matias revela ainda à Exame, que «na Sonae Imobiliária a estratégia é usar e abusar de estudos de mercado para se ter a certeza de que os passos a dar são os mais correctos. Neste caso a realidade superou largamente as expectativas mais optimistas, quer por parte dos promotores, quer de qualquer lojista que tenha feito aqui a sua estreia em Portugal». Preocupados com a adaptação dos visitantes a um empreendimento tão grande, continuam a apostar nos serviços de apoio ao cliente, que vão desde os localizadores de viaturas e a oferta de espaços para se deixar as crianças sob vigilância de educadoras, até à disponibilização de cacifos e carrinhos para bebés. No que diz respeito à população visitante, o Colombo é o que possui uma maior frequência de visitantes com maior poder de compra, sendo que 45% dos seus clientes pertencem às classes alta e média-alta. Esta situação reflecte-se na própria facturação do centro, que em 2000 atingiu um volume de remunerações brutas de 34 milhões de euros, valores que desde a abertura do centro, têm crescido mais de 10% por ano. Devido a todo este sucesso, a Sonae Imobiliária vai inaugurar brevemente no Brasil o Parque Dom Pedro, que será o maior centro comercial da América Latina.