Adalberto reinventa a camisa

A empresa especialista em tinturaria e estamparia está a adicionar um conjunto de funcionalidades à malha para transformar as camisas clássicas em peças confortáveis e funcionais. Uma das inovações que a Adalberto tem estado a introduzir no mercado, onde se inclui estampados com pigmentos minerais e o recurso cada vez maior ao 3D.

Hugo Miranda

As soluções para camisaria sugeridas pela Adalberto usam malhas, incluindo interlock, jersey e piqué, para criar peças mais amigas do quotidiano, sobretudo graças à adição de duas tecnologias: a Ad-travel 3.0 e o Ad-protect. A primeira «é totalmente repelente, ou seja, tem um repelente de nódoas de forma a não nos sujarmos. Vamos comer uma massa à bolonhesa ou beber um copo de vinho e não corremos o risco de ficar com nódoas na camisa. E na parte de dentro é muito absorvente. O objetivo é absorver o suor e fazer com que ele seque de forma muito rápida. Ou seja, na parte de fora, mantemos a camisa limpa de nódoas, na parte de dentro temos absorção da humidade e secagem muito rápida», resume Hugo Miranda, diretor de inovação da Adalberto.

A segunda tecnologia, que foi desenvolvida durante a pandemia, «é antiviral e antimicrobiana, com o objetivo de reduzir o odor corporal», indica Hugo Miranda. Para «reinventar a camisa», como afirma, a Adalberto introduziu ainda «um sistema de easycare, que torna mais fácil tratar a camisa a nível de passar a ferro», acrescenta o diretor de inovação.

Um conceito que tem igualmente um lado mais sustentável. «Com estas camisas, o objetivo é manter o aspeto exterior sempre limpo e fresco, manter sempre a camisa impecável e, por isso, não se tem de lavar tantas vezes. Além disso, pode ser lavada a temperaturas baixas e em ciclos curtos, por exemplo, de 15 minutos na lavagem à máquina. Isso reduz significativamente o consumo de água e de energia porque são ciclos mais pequenos e a temperatura é baixa», explica.

Regresso ao passado

A camisa é uma das novidades que a Adalberto tem apresentado em certames como a Première Vision Paris e o Modtissimo. A empresa está igualmente a apostar em «fibras ancestrais, como o cânhamo, a urtiga e o linho», enumera Hugo Miranda, em mistura com algodão orgânico ou viscose certificada, que são tratadas a um nível mínimo. «Não tingimos e reduzimos o consumo de químicos no processo de ultimação destas malhas», refere, salientando ainda que «todas as matérias-primas são 100% rastreáveis» e «é tudo europeu», com foco, na parte produtiva do fio e da malha, em Portugal.

Nos estampados, a Adalberto está ainda a revelar na coleção New Eden, em referência ao Jardim do Éden, a utilização de pigmentos minerais. «Basicamente, transformámos rochas em tinta, quase tudo vindo de pedreiras em Itália», conta o diretor de inovação.

Um regresso ao passado, mas com as tecnologias mais avançadas do presente. «Tentámos ir buscar as matérias-primas ancestrais, mas usando tecnologias novas no processo, tanto químico como mecânico, de forma a termos um produto duradouro, com um design apelativo e com estamparia ecológica», afirma Hugo Miranda.

3D a crescer

Também para mostrar estes avanços a Adalberto tem-se apoiado nas inovações tecnológicas, uma área onde «temos alguns clientes, e são cada vez mais, para os quais só estamos a fazer protótipos 3D», revela.

A coleção da Adalberto está já completamente digitalizada e a empresa desenvolveu a plataforma Adalberto Studio para apresentação das peças confecionadas, que «tem tido imensa procura e um ótimo feedback. Lançámos a plataforma antes do verão e, neste momento, temos clientes que já a usam diariamente», afiança.

A Adalberto Studio contempla uma área dedicada às tendências e às novidades da empesa, tanto em termos de matérias-primas como de design, e permite aos clientes pesquisar por desenhos, pedir amostras, criar uma lista de favoritos e até usar o 3D para ver o resultado nas peças finais e criar as suas próprias coleções. «O cliente consegue, por exemplo, fazer o upload de uma foto e descobrir rapidamente imagens parecidas. Usamos inteligência artificial para o reconhecimento de imagens e é daquelas coisas que é melhorado todos os dias, graças ao modo de aprendizagem que temos», esclarece Hugo Miranda.

O próximo passo é fazer a ligação entre a plataforma e a parte produtiva. «Já estamos em testes para isso: o cliente entrar na plataforma, selecionar as matérias-primas e introduzir a encomenda», desvenda o diretor de inovação.