Adalberto prossegue investimentos

A sustentabilidade e a inovação tecnológica são os focos dos próximos investimentos da Adalberto, dando continuidade à transformação estratégica que a empresa tem vindo a fazer nos últimos anos.

César Lima

Os novos investimentos, revela César Lima, CEO da Adalberto, estão a ser feitos para dar resposta às necessidades e à evolução do mercado, incluindo na redução dos consumos e na renovação para equipamentos mais eficientes.

«Somos o líder de um consórcio [Giatex] que visa a utilização mais racional da água, onde temos alguns investimentos a decorrer e que prevemos continuar», explica ao Portugal Têxtil. A esse somam-se os investimentos na digitalização e «interoperabilidade entre as várias empresas do sector», também em consórcio, no Texp@ct, assim como «a nível de maquinaria industrial temos previsto, ainda este ano, fazer alguma coisa a nível de estamparia digital e mesmo alguns investimentos estratégicos para a área de tinturaria», revela César Lima.

Estes investimentos complementam a estratégia iniciada há alguns anos pela empresa. «Mudámos, inclusivamente, de nome para sinalizarmos bem este novo posicionamento: deixámos de ser a Estamparia Adalberto e passámos a ser a Adalberto Textile Solutions e estamos muito focados nisso», sublinha o CEO. «Queremos ser aquele parceiro em que as marcas pensam quando precisam de fazer desenvolvimento de novas funções que impliquem valor acrescentado, que impliquem tecnologia, performance. Queremos ser um player de referência nessas áreas», destaca.

Inteligência artificial (IA), por exemplo, é uma das áreas onde a Adalberto tem apostado, nomeadamente para apoiar o desenvolvimento de novas coleções. «O que estas ferramentas nos permitem é aumentar a produtividade das equipas. Nunca vamos substituir a equipa de design por IA, mas vamos usá-la como uma ferramenta que nos permite dar uma resposta mais direcionada a uma determinada marca. Quando no passado desenvolvíamos uma coleção, tinha que ser abrangente, para todos os tipos de clientes ou, pelo menos, para os tipos que nos interessavam. Neste momento, isto permite-nos fazer um trabalho mais focalizado em determinado cliente e, com a ajuda da IA, posso gerar mais rapidamente uma cápsula que vá de encontro ao ADN desse cliente», indica César Lima.

Resultados contraditórios

Nos últimos dois anos, a empresa tem igualmente estado empenhada em explorar mercados geográficos diferentes, que têm trazido bons resultados. «O Canadá e os EUA, na América do Norte, a América do Sul tem vindo a crescer também e, depois, os países da Escandinávia estão igualmente com bons indicadores», enumera o CEO, que acrescenta uma boa procura por parte de «clientes grandes no mercado francês».

Talvez resultado desta grande diversidade de mercados, os resultados da empresa este ano têm sido «contraditórios», descreve César Lima. «Entrámos bem no ano, tivemos um primeiro trimestre a cumprir com aquilo que eram as nossas expectativas, que eram de crescimento face ao ano anterior. Depois, a partir do final do primeiro trimestre, notámos as coisas a abrandar e aí já não conseguimos estar dentro da nossa ambição de crescimento», assume.

A empresa, que se divide entre o negócio dos tecidos e os têxteis-lar, tem sentido maior abrandamento nos artigos para a casa e no negócio no mercado interno. «Felizmente, a nível do mercado externo, em que vendemos soluções mais verticais, a coisa está a correr bem, continuamos a crescer. Temos fenómenos diferentes consoante a unidade de negócio e o mercado», refere.

Para o ano completo, o CEO espera que a Adalberto, que somou um volume de negócios próximo dos 22 milhões de euros no ano passado sem a parte das peças confecionadas, «tenha um crescimento pequeno no mercado externo de moda. O resto deverá ficar no mesmo nível do ano passado».