Filomena Alvarez é desde 1988 presidente do Conselho de Administração (CA) da Santix, uma empresa de confecção fundada pelo seu avô galego Santiago Alvarez e Mendez em finais do século XIX, em Coimbra, e que hoje emprega 230 trabalhadores. Com o orgulho de liderar uma empresa de gestão familiar, confirmada pela presença da família no restante CA, e de basear a actividade da empresa no espírito de equipa que promove com os trabalhadores, Filomena Alvarez falou com o JT sobre a internacionalização e sobre a abertura de novas lojas, uma das quais este mês.
Jornal Têxtil (JT) – Qual é a percentagem de produção exportada e quais os principais mercados? Filomena Alvarez (FA) – Exportamos quase toda a produção, cerca de 95%. Os mercados com quem trabalhamos actualmente são a Espanha, França, Chipre e o Reino Unido, um mercado para onde fazemos fatos por medida e que se tem revelado muito interessante, dado ter uma clientela árabe com muito poder económico. JT – Estivemos com a Santix quando ainda ia à CPD (Collection Premiere Dusseldorf). Deixaram de apostar no mercado alemão? FA- Não, mas reduzimos essa aposta pelas dificuldades que esse mercado tem enfrentado. Há 15 anos atrás, um português comprava em média 4,5 calças e um alemão comprava 11,8. Agora é o alemão que compra 4,5 calças mensalmente. A nossa presença lá resume-se agora à apresentação das nossas colecções num show-room. JT – Há planos para novos mercados? FA- Sim, estamos à procura de novos mercados, como o russo, através da feira CPM (Collection Premiere Moscow), mas onde as boas encomendas depois não se tornam boas vendas pela dificuldade que temos tido em colocar os artigos e arranjar bons agentes. JT – Qual é a sua opinião sobre a concorrência chinesa? FA- Pela dimensão da sua população e do potencial de consumo, vemos a China mais como uma oportunidade do que como uma ameaça. JT – Tem equipa de design? FA- Sim, constituída por dois estilistas italianos, e dois assistentes. JT – Como avalia as recentes iniciativas das Associações sectoriais para promover a internacionalização das empresas? FA- Como fundamentais, pois como diz o ditado popular «a união faz a força», e permite ainda aproveitar sinergias entre as empresas que se deslocam neste grupos, que não existiriam se viajassem individualmente. JT – Há mais alguma actividade de algum organismo que queira destacar? FA- Sim, mas pela negativa, pois quando procuro operários, num país onde há desemprego, o Centro de Emprego não me responde, e eu continuo a contratar angolanos. JT – Há algum projecto que nos queira revelar? FA- – Sim, depois de termos inaugurado a primeira loja em Coimbra em Maio deste ano, e a segunda em Outubro, queremos completar com uma terceira loja em Dezembro.










