A têxtil vai recuperar

Ribeiro Fontes, secretário-geral da ANITT-Lar, adiantou em entrevista ao Vida Económica que está confiante que a indústria têxtil recupere ainda durante este ano, mas acrescenta que tudo irá depender da situação económica que o Governo criar nos próximos meses. No inicio do ano, principalmente nos dois primeiros meses, verificou-se um abrandamento da actividade, que foi acentuado pelo encerramento de várias fábricas. No que respeita aos encerramentos de algumas unidades de produção, o dirigente critica a forma como estes têm sido noticiados pelos media, que não apresentam o lado positivo do sector que neste momento espera a qualquer momento o licenciamento industrial de várias empresas para começarem a trabalhar. Ribeiro Fontes adianta ao Vida Ecnómica, que é importante saber porque as empresas fecham já que muitas delas não encerram as suas portas pela crise económica que o país vive, mas sim por outras razões. «Por exemplo, estão a surgir unidades com produto próprio, pelo que a subcontratação perde terreno e há também casos em que os funcionários passam para outras empresas, até porque há regiões de pleno emprego», explica o secretário-geral. O dirigente afirma que é o Estado a entidade que deverá dar resposta a estas situações. Na sua opinião, «esta é uma boa altura para serem lançadas as necessárias reformas estruturais. A flexibilização laboral deve merecer uma especial atenção por parte do Governo. As leis do trabalho têm que ser adaptadas à actual realidade do mercado. As alterações podem mesmo suscitar um aumento da taxa de emprego, sem que se verifique uma perda do poder de compra dos trabalhadores». Durante a entrevista Ribeiro Fontes mostrou-se preocupado com as medidas tomadas pelo Governo, nomeadamente o aumento do IVA que irá levar a uma «perda da competitividade das empresas no mercado interno e externo», o que deverá por esta razão ser uma medida temporária, na opinião do dirigente. Na sua opinião, os sectores de mão-de-obra intensiva, deveriam merecer uma atenção fiscal diferente, já que nesses casos, a mão-de-obra chega a representar mais de 25% dos custos de uma empresa. Mas o agravamento dos custos não se fica por aqui, «a banca tende a encarecer cada vez mais o custo do dinheiro e a dificultar o acesso ao crédito», acrescenta o secretário-geral da ANITT-Lar. Para a manutenção da competitividade e para o não agravamento das contas públicas – no caso dos aumentos dos funcionários públicos -, o Banco de Portugal fez um forte apelo à moderação salarial, que na opinião de Ribeiro Fontes deveria também ser dirigido às entidades que actuam em sistema de quase monopólio.