A sustentável natureza da Albano Morgado

Especialista na produção de lanifícios, a empresa tem vindo a reforçar as suas credenciais verdes com processos mais amigos do ambiente, nomeadamente na nova tinturaria que acabou de entrar em funcionamento.

Baltazar Lopes

É inquestionável que a sustentabilidade faz parte do ADN da Albano Morgado, desde logo pela matéria-prima que usa, sustenta Baltazar Lopes, administrador da produtora de tecidos. «Estamos a falar de um produto natural, biodegradável», sublinha. A isso, refere, junta-se uma cada vez maior preocupação com sua pegada ambiental. «O trabalho que temos vindo a desenvolver, e que vamos continuar a fazer, é ter uma produção o mais possível amiga do ambiente. É uma preocupação, todos temos de ter um compromisso com o planeta e não com o marketing. Olhamos para a sustentabilidade com seriedade», afirma o administrador.

A mais recente prova deste compromisso é a nova tinturaria, um investimento iniciado há vários anos, que, fruto das condicionantes resultantes da pandemia, só agora ficou concluído. «A tinturaria é um passo nessa preocupação, porque o objetivo não é tingir muito mais, mas tingir melhor, com menos consumo e de uma forma mais amiga do ambiente», explica Baltazar Lopes.

Para os mais puristas, a empresa tem ainda uma linha de artigos em lã «livre de qualquer produto químico», incluindo na ultimação. «É pena que o mercado exija cor e especialmente cores intensas. Era preciso que se deixasse de valorizar tanto, por exemplo, um vermelho brilhante. Acho que a sustentabilidade depende sobretudo do consumidor – se queremos ser amigos do ambiente, temos de mudar a nossa forma de viver», aponta o administrador, que acredita que «vão ser precisas gerações» para que a mentalidade dos consumidores, e a compra de artigos de moda, se altere. «É preciso arranjar alternativas e isso, penso eu, vai levar muito tempo», acrescenta.

A Albano Morgado está agora a ponderar novos investimentos, «sobretudo na área energética». Neste domínio, a empresa está a estudar a colocação de painéis solares, assim como a aquisição de uma caldeira de biomassa ou até uma aposta no hidrogénio, confessa Baltazar Lopes. Contudo, ressalva, há muitas dificuldades a ultrapassar. «Não basta legislar. É preciso termos os meios à nossa disposição para nos podermos adaptar. Não é fácil deixar de gastar gás», exemplifica, salientando que a interioridade – apesar da empresa estar sediada apenas a uma hora e meia do Porto ou de Lisboa – ainda traz desafios. «No inverno, temos problemas com falhas de energia, sem falar do telefone e da dificuldade que é ter uma boa internet. São tudo problemas de interioridade que não deviam existir. Era preciso que, de facto, se olhasse mais para o interior e não se olha», constata.

Procura a abrandar

Depois de um «ano extraordinário» em 2022, com um volume de negócios superior a 6 milhões de euros, a procura «começa a abrandar», mas 2023 «continua a ser um ano bastante positivo» para a Albano Morgado, a julgar pelos primeiros nove meses, sustenta Baltazar Lopes.

O mesmo não deverá acontecer no próximo ano, a julgar pelos indícios sentidos neste último trimestre. «Sentimos, de facto, um abrandamento da procura, o que nos leva a crer que 2024 não seja um ano tão bom como foi 2022 e 2023», indica.

A pandemia e a guerra tiveram, e em alguns casos continuam a ter, impacto nas empresas, causando, no caso da Albano Morgado, dificuldades no cumprimento de prazos de entrega, devido «a atrasos por parte de alguns dos nossos fornecedores e dificuldades na aquisição de produtos químicos auxiliares», exemplifica o administrador da empresa. «Acho que a pandemia deixou marcas na capacidade produtiva das empresas, mas apesar disso conseguimos crescer», conclui Baltazar Lopes.