A queda de um gigante

O tribunal do comércio de Romans já se pronunciou. Chamado a tomar uma decisão quanto ao destino da Charles Jourdan, em administração judicial desde 12 de Setembro (pela terceira vez desde 2002), a justiça ditou a liquidação da empresa de calçado de luxo. Esta decisão vem no seguimento de um recurso rejeitado pelo único candidato ainda em jogo, a empresa que desenvolve a marca Omniscent. O outro candidato, a Repetto, tinha já retirado a sua oferta no final de Novembro por entender não ser possível recuperar a Charles Jourdan. Segundo o CEO da Repetto, Jean-Marc Gaucher, o antigo proprietário «tornou impossível a recuperação da marca e a retoma da empresa». Esta sentença do tribunal implica a dispensa de 197 funcionários e foi acolhida com protestos dos empregados que assistiram à leitura da decisão. «Um drama para o calçado! A Charles Jourdan está morta, é muito difícil viver», declarou Bénédicte Jourdan, neta do fundador. O grupo americano tinha pedido um adiamento suplementar de 15 dias, com a esperança de obter a demissão de Yannis Bilquez do seu lugar de administrador da sociedade suíça Charles Jourdan AG. O antigo proprietário da Jourdan foi preso no final de Novembro em Genebra, e para além de ser acusado de ter desviado 20 milhões de dólares da empresa de calçado, é também suspeito de ter retirado um total de cerca de 70 milhões de dólares aos seus investidores, pendendo sobre ele acusações de desvios de fundos e abuso de confiança a grande escala. A Omniscent tinha confirmado os termos da sua oferta de compra – comprometendo-se a responsabilizar-se pelas despesas efectuadas durante este período de 15 dias e num limite de 200.000 euros – após ter reunido provas de que a empresa era proprietária das marcas (com excepção do mercado norte-americano, vendidas em 2006) e de ter obtido a aprovação do CEO. Mas no último momento, os advogados da Omniscent descobriram que havia o risco de não poder comercializar nos EUA nem a marca Jourdan nem a de “Kathy Hilton by Charles Jourdan”. Ora o objectivo de Lucien Lallouz, CEO da Omniscent, associado à família Hilton, era lançar nos EUA esta linha de calçado, para completar a linha de sacos e óculos da mãe de Paris Hilton, pelo que retirou a oferta. Numa última tentativa para salvar a CharlesJourdan, os três delegados sindicais (CFE-CGC, FO e CGT) pediram ao tribunal que obrigasse a Omniscent a honrar a sua proposta, porque «todas as reservas colocadas pelo candidato tinham sido resolvidas». Os problemas da empresa de calçado têm suscitado alguma polémica em França. O caso da Charles Jourdan, cuja dívida ultrapassa os 2 milhões de euros, tem sido acompanhado com preocupação pelo poder político. Ségolène Royal, a ex-candidata à presidência, já visitou as instalações da fábrica e conversou com os operários e o Secretário de Estado para as Empresas tem agendada uma reunião no próximo dia 3 de Janeiro para tentar «assegurar a continuação da Charles Jourdan».