A Penteadora foi eleita a melhor empresa têxtil de 2001

A Penteadora foi eleita a melhor empresa têxtil de 2001 pela revista Exame, na sua edição das Maiores & Melhores. A empresa da Covilhã foi adquirida há três anos pela Paulo de Oliveira, S.A., (eleita a melhor empresa do sector durante os últimos quatro anos e em 2º lugar em 2001), tendo efectuado um avultado investimento nestes últimos três anos, permitindo-lhe consolidar a sua posição na indústria de lanifícios, quer a nível nacional quer internacional. A Penteadora é uma empresa do sub-sector têxtil de lanifícios, com uma estrutura vertical, envolvendo cardação, fiação, tecelagem, tinturaria e acabamentos. Produz tecidos para confecção de vestuário para homem e senhora com as mais diversas composições mas, em especial, artigos de pura lã fina e misturas de lã com outras fibras como o linho, seda, algodão, poliamida e poliester. Os tecidos elásticos fabricados com licra, marca registada da Dupont, continuam a ser os produtos em que a empresa apresenta um know-how internacionalmente reconhecido. A Penteadora está certificada pela ISO 9002 e os seus laboratórios acreditados pela ISO 45001/17025 estando acreditados também por grandes grupos europeus de distribuição e marcas e pela OKO-TEX Standard 100. O Jornal Têxtil falou com José Miguel Fiadeiro, Administrador e Director-Geral da Penteadora, que nos relata as directrizes estratégicas que permitiram este galardão. JT – Qual foi a estratégia de sucesso desta grande recuperação? José Miguel Fiadeiro – As estratégias da Penteadora são alinhadas pelas estratégias do grupo Paulo de Oliveira, com uma procura sistemática de sinergias (em todas as áreas funcionais, produtivas e não produtivas) e, simultaneamente, com a manutenção da identidade própria de cada empresa do grupo, nomeadamente, no que diz respeito ao produto e estruturas técnica e comercial. Esta concertação de estratégias é possível pela capacidade e forte liderança do Presidente do Grupo, o Sr. Paulo de Oliveira. Por outro lado, a empresa tem realizado nos últimos anos, um grande esforço na sua modernização, para reforço dos seus factores dinâmicos de competitividade, quer nas áreas produtivas quer em áreas de apoio e logística (nomeadamente, na qualidade, ambiental, desenvolvimento, etc.) procurando, desta forma, satisfazer as exigências, cada vez maiores do mercado. Naturalmente que o prémio é também o reconhecimento do desempenho de todos os colaboradores da empresa no sentido responsável de fazermos sempre mais e melhor. JT – Num mercado com desafios específicos? JMF – Num mercado cada vez mais exigente e, muitas vezes, irracional, que implica um permanente assumir de riscos em que só a credibilidade, de serviços e de qualidade, são capazes de fidelizar os clientes e contrariar as vantagens concorrenciais de paises e de produtores com mão-de-obra abundante, tecnicamente muito bem preparada e de custo significativamente inferior e localizados muito mais próximo dos grandes consumidores europeus. O desafio passa necessariamente pelas batalhas da produtividade e da inovação que, não sendo ganhas, significarão, a curto prazo, grandes dificuldades para a indústria têxtil nacional. JT – Este investimento começou quando? JMF – Os investimentos da Penteadora são o suporte das suas estratégias. Por esse motivo, desde que pertence ao grupo Paulo de Oliveira, os investimentos têm sido realizados com o objectivo de uma reconversão importante de todas as secções produtivas e abrangendo, também, importantes investimentos nas áreas ambiental e energética, na qualidade, inovação e formação, num total de, aproximadamente, 10 milhões de euros, dos quais 60% foram apoiados pelo IMIT e os restantes realizados com auto financiamento. JT – Quer especificar o investimento na formação? JMF – A actualização e reciclagem de conhecimentos tem, forçosamente, de ser realizada de forma permanente e contínua. É vital para a empresa possuir Quadros Técnicos (a todos os níveis) capazes de rentabilizar os seus investimentos no mais curto espaço de tempo e de possuir os meios humanos indispensáveis à concretização das suas estratégias nas várias vertentes empresariais. Por estes motivos, consideramos o investimento na formação tanto ou mais importante que o investimento tecnológico. JT – A concorrência que sente neste segmento dos lanifícios vem de onde? JMF – Se a concorrência for analisada na perspectiva do preço, diria que vem de todos os lados. De facto, e para além dos Países do Leste e da Turquia, hoje assiste-se a uma pressão generalizada sobre os preços vindos de países que, teoricamente, teriam mais dificuldades em ganhar mercados à custa do seu preço mas que beneficiam de índices elevados de produtividade (que anulam as eventuais diferenças de salários), de legislação laboral mais flexível e socialmente mais justa e de legislação contributiva menos penalizante para quem pretende criar riqueza para o país e não deslocalizar-se deixando atrás de si um rasto de incertezas para o seu futuro. Se a concorrência for analisada na perspectiva da inovação do produto (moda, design, tecnologia, etc.) naturalmente que a Itália continua a ser o líder da concorrência. Deve também dizer-se que, fruto de um trabalho de imagem do seu país, os italianos são o caso típico de terem a fama e o proveito, já que muitas vezes somos confrontados com produtos italianos de qualidade e design inferiores aos nossos mas pelo simples facto de serem italianos são valorizados bastante mais. Era muito importante que fossemos capazes de cuidar melhor da imagem do país de forma a atenuar as diferenças virtuais com que, frequentemente, somos comercialmente, confrontados. Sendo um trabalho de todos não há dúvida que a principal responsabilidade caberá aos organismos públicos vocacionados especificamente para serem catalisadores das vendas de produtos nacionais e que, muitas vezes, subestimam a importância das suas funções e actividades. JT – Que outras dificuldades destacaria actualmente? JMF – As dificuldades que sentimos são necessariamente as mesmas que as outras empresas têxteis nacionais sentem algumas das quais já referimos anteriormente. No entanto, algumas delas, encontram-se fortemente agravadas pelo facto de se tratar de uma empresa localizada no interior do país, eu diria mesmo no interior do interior. De facto, mesmo que façamos um grande esforço para sermos capazes de manter a empresa competitiva somos confrontados com situações de grande desvantagem comparativamente com as empresas nacionais localizadas no litoral e que infelizmente não podemos combater já que as assimetrias existentes são da total responsabilidade do poder político central. Dentro das preocupações que temos relativamente ao futuro e, associadas à nossa localização, destacaria pela importância fundamental para a nossa estrutura de custos e, portanto, para a nossa competitividade, os custos superiores que temos em energia e combustíveis industriais, os transportes de mercadorias e comunicações, em assistência técnica (a todos os níveis), em apoio de serviços oficiais, etc., etc., e, no caso concreto da Penteadora nos elevados custos que temos de suportar com o transporte de pessoal (totalmente a nosso cargo devido à não existência de transportes públicos compatíveis com os horários laborais), os custos de absentismo (fortemente influenciado pela carência e deficiência de serviços públicos nas áreas administrativa, justiça, educação, saúde, transportes, etc., etc.), os custos ambientais (que somos obrigados a suportar pelo facto de não existirem unidades colectivas de tratamento de efluentes), etc., etc. e que, infelizmente, continuam a não ser compensados com uma redução de impostos (IRC por exemplo) o que seria de elementar justiça face à desvantagem relativa que temos e ao fundamental papel social e económico que