A nova arma publicitária

A partir de agora há uma nova arma para promover uma marca: o telemóvel. Trata-se de uma nova oportunidade de efectivar marketing promocional com vista a aumentar a notoriedade da marca, gerar tráfego nas lojas ou melhorar e fidelizar as relações com os clientes. Segundo Marina Barreau, directora-geral da empresa Mappy, «trata-se de fazer publicidade contextual num bom lugar, num bom momento e de responder às necessidades dos utilizadores em situação de mobilidade». Se, até há bem pouco tempo, só poderíamos aceder à Internet através de um computador, actualmente outras tecnologias permitem esta aproximação: telemóvel, GPs no automóvel, PDAs, iPod e, sobretudo, o iPhone a ser lançado proximamente, estão agora equipados com um écran táctil e um teclado virtual capaz de navegar mais rápido que o sistema Adsl. «Assistimos a uma desfragmentação dos canais habituais dos anunciantes. Esta noção de navegar em mobilidade provoca a criação de aplicações e conteúdos novos», afirma Emmmanuel de Saint-Bom, director da empresa de marketing móvel Watisit. A marca Levi's lançou recentemente uma campanha nas esplanadas dos cafés parisienses, equipados com mesas interactivas que ofereciam a possibilidade aos "mobinautas" (utilizadores da Internet através do telemóvel) de fazerem downloads, no seu telemóvel, do último filme publicitário da marca. Foram descarregados cerca de um milhão de downloads. A Reebok organizou uma sofisticada operação de marketing, em parceria com a agência Screentonic: a assinatura de um contrato com o futebolista Thierry Henry. Depois de várias semanas, com os banners publicitários a anunciar a chegada do desportista e a incentivar os "mobinautas" a conectarem-se no site da Internet móvel, cerca de 50.000 amantes do desporto foram convidados por Sms a descobrir as novas colecções Rbk Football nas lojas da marca. De igual forma, a marca masculina pronto-a-vestir Jules também recorreu ao marketing móvel. Foi permitido aos utilizadores fazerem o download do logótipo da marca nos visores dos seus telemóveis e localizarem um ponto de venda, através do envio de um Sms. As respostas aos Sms permitiam, através de um link, aceder directamente ao site móvel. Em quinze meses, 10.000 pessoas utilizaram este dispositivo. O Japão, um país atento a este domínio, apresenta já um total de 650 milhões de euros investidos em marketing móvel. 70% dos utilizadores possuem um telefone "i-mode " em 2 D. Neste país, são muitos os apoios tecnológicos que orientam os consumidores para a Internet móvel. Muitas empresas japonesas de venda à distância constataram que as vendas realizadas através da Internet móvel ultrapassaram as vendas a partir da Internet PC. A África do Sul, um dos maiores centros comerciais do mundo, está integralmente apetrechado do sistema Bluetooth, que permite aos visitantes receberem no seu telemóvel as promoções das lojas. A Internet móvel tem-se revelado um valioso instrumento de comunicação para as marcas e uma forma de prospecção comercial. Muitas são as marcas que têm direccionado grande parte do seu orçamento para este tipo de campanhas publicitárias. Tal como retrata o filme "Relatório Minoritário", onde o protagonista é constantemente bombardeado pelas forças de venda que, através da retina dos seus olhos conseguiam ver quais as sua necessidades de compra, também esta nova forma de publicitar levanta questões de invasão de privacidade. O próximo passo poderá ser a criação de filtros, à semelhança do Spam, que barrem a entrada de publicidades não solicitadas.