A moda do interior

Há mais de 20 anos que o seu nome é sinónimo de qualidade e flexibilidade, tendo-lhe valido a fidelidade de uma vasta carteira de clientes onde se encontram, entre outros, a espanhola Inditex e a francesa Intermarché. Sem negligenciar todavia a sua produção de roupa interior em regime de private label, o grupo Costa & Jordão decidiu desbravar novos caminhos que garantam a sustentabilidade futura face à nova ordem de comércio mundial. Por esta razão, criou uma empresa no seio do grupo ? a Pena Íntimo ? com uma estratégia orientada para a marca própria ? a Pena Underwear. «Fomo-nos apercebendo que o nosso know-how e criatividade deveriam ser canalizados numa marca própria, face a uma realidade concorrencial que será prejudicial para quem não tem sustentabilidade em marcas próprias», explica Carlos Cunha, director de marketing da Pena Underwear.A nova marca, lançada há cerca de um ano, centra-se num núcleo duro de 6 pessoas, que se ocupam sobretudo da parte criativa e da parte marketing/comercial. Toda a produção é feita em regime de subcontratação, quer dentro do próprio grupo, quer junto de outras empresas, mas sempre em Portugal. «Procuramos a diferenciação dos nossos produtos com base na criatividade das nossas ideias, no arrojo do nosso design e na qualidade das nossas malhas», sustenta o director de marketing. Outra mais valia da Pena Underwear é a sua complementaridade de produtos, procurando jogar com os interiores e os exteriores, o que lhe proporcionou «um nicho de mercado diferenciado», tal como explica Carlos Cunha. «Há 10 anos atrás era impensável ter esta filosofia de produto, mas actualmente a roupa interior é tão importante como a exterior. O underwear é hoje um produto de moda».Pode dizer-se que é na cabeça de Luísa Faria, designer de moda, que germina cada colecção da Pena Underwear. «Procuramos oferecer o que não existe no mercado», explica a designer da marca. «A ideia subjacente a cada colecção é que funcione quer como interior (underwear) quer como exterior (homewear, casualwear, sportswear e beachwear)». Embora sempre atenta às tendências, a designer nunca abdica do sentido prático e acaba por fazer dele o seu grande trunfo, apresentando em cada colecção peças que sintetizam na perfeição o desejo de elegância e a necessidade de funcionalidade. Em particular, para a próxima estação estival Luísa Faria revela ter buscado inspiração nos motivos florais para a linha Hope, em Londres e nos temas musicais para a linha Quiet Rebellion e nos modelos militares para a linha Translation. E é precisamente esta última linha que constitui a face mais inovadora desta colecção já que utiliza como material de base a malha polar. A colecção inclui ainda uma quarta linha, que aliás está presente em todas as colecções da marca, caracterizada por criações exclusivamente em renda e tule, com desenhos sensuais e sofisticados, e modelos lisos, jacquards ou estampados. «Para além da colecção sazonal, desenvolvemos novos modelos todos os quinze dias para refrescar a própria colecção, e assim responder à contínua procura de novidades por parte do consumidor», declara Luísa Faria. Ao que Sofia Fragoso, a designer gráfica da Pena Underwear, acrescenta que «desde o início houve uma organização e uma estruturação da colecção, procurando sempre introduzir novos materiais e modelos que tanto respondam à procura de conforto dos consumidores como à sua apetência pela moda».A distribuição própria é também uma prioridade dentro desta nova estratégia do grupo Costa & Jordão. Por isso, foram já inauguradas duas lojas em Braga e uma em Famalicão, estando ainda previstas ao longo do corrente ano novas aberturas em Vila Real, Régua e Póvoa do Varzim. «A nossa estratégia passa por atacar primeiro as cidades de média dimensão (com cerca de 50 mil habitantes) e só depois as grandes metrópoles como Lisboa e Porto», revela o administrador da Costa & Jordão, Paulo Silva. «Mas nunca descurando os nossos 120 clientes multimarca».No âmbito internacional, o grupo Costa & Jordão está actualmente inserido num consórcio europeu (Portugal, Espanha e França) com o objectivo de «criar uma nova marca de casualwear de senhora de gama média-alta na qual, à semelhança da Pena Underwear, dar-se-á prioridade ao design, à inovação e à qualidade», revela Paulo Silva. Criado há 20 anos, o grupo Costa & Jordão dispõe hoje de um efectivo de 30 pessoas e gerou no ano transacto um volume de negócios cifrado em 4 milhões de euros. Da sua produção global, 10% corresponde já à marca própria Pena Underwear e 80% tem como destino os mercados espanhol e francês.