A marca americana Liz Claiborne europeíza-se

A Liz Claiborne é o quarto maior produtor de têxteis e vestuário nos EUA (volume de vendas em 2002: 3,09 mil milhões de euros). Ao lado da sua maior marca, a Liz Claiborne, a empresa têm várias outras marcas no mercado, como, por exemplo, a Lucky Brand, Kenneth Cole New York e Laundry by Shelly Segal, todas elas pouco conhecidas na Europa. Fundada em 1976, a empresa iniciou a sua actividade como fabricante de vestuário para senhora. «Sempre que alguém queira comprar uma peça de vestuário, deve existir um produto da Liz Claiborne que a satisfaça, independentemente do seu gosto pessoal, do estatuto social ou dos recursos» é a filosofia de Paul Charron, director da empresa. Paul Charron segue uma estratégia de expansão agressiva, tendo adquirido recentemente a marca holandesa Mexx e as marcas americanas Ellen Tracy e Juicy Couture. A Liz Claibore já exporta 20 % do seu volume de vendas, mas quer aumentar esta quota. Os negócios da empresa nos EUA estão cada vez mais difíceis. Por ano, o mercado americano diminui entre 1% a 2%. Deste modo, a Europa é um mercado muito interessante para a firma americana, onde, no ano passado, a sua marca Mexx conseguiu aumentar o seu volume de vendas de 15,7 %. Há sete anos atrás, a Liz Claiborne tentou entrar no mercado europeu, mas sem sucesso. Desta vez, pretende usar a Mexx como porta de entrada. Desde que adquiriu a marca holandesa, a presença desta na Europa tem aumentado e o número de lojas cresceu para 150. Até ao momento, a empresa americana não decidiu quais os países europeus onde se vai implantar nem quais as marcas que vai usar. No entanto, é certo que a marca Liz Claiborne vai ter um papel principal. «A Liz Claiborne é uma grande marca e estamos convencidos de que vai ter sucesso na Europa», revela Paul Charron. A empresa pretende já apresentar uma colecção própria para o mercado europeu no Verão de 2004. Em paralelo com a entrada das marcas americanas na Europa, a empresa está a implementar a Mexx no mercado americano, tendo já aberto a sua primeira loja em Nova Iorque. «Os negócios estão a correr muito bem e desde o início obtivemos lucro», declara Paul Charron. No entanto, os especialistas do sector estão mais reticentes quanto ao seu sucesso na Europa. «Vai ser necessário muito dinheiro para estabelecer as marcas no mercado europeu», afirma Heijo Gassenmeier da Associação Federal do Comércio a Retalho de Têxteis. «Sem investimento não vão ter hipóteses nenhumas de encontrar empresas e comerciantes locais que colaborem. Muitas cadeias já têm marcas próprias e não estão dispostas a dar mais espaço a outras marcas nas suas lojas». A Alemanha, em especial, apresenta grandes dificuldades para a Liz Claiborne. Este mercado encontra-se sob uma pressão enorme. Segundo informações avançadas pela revista Textilwirtschaft, o volume de vendas no sector do comércio a retalho de vestuário baixou 13 % em relação ao ano anterior, e as más notícias não ficam por aqui: a Escada, depois de um trimestre miserável, teve de encerrar 35 filiais e despedir 850 colaboradores e a Gerry Weber anunciou que o seu volume de vendas durante os primeiros nove meses de 2003 baixou 9 % em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, Paul Charron está muito confiante e pretende mesmo reverter esta situação difícil a seu favor. «Recebemos duas a três ofertas da Europa por semana, o que é muito interessante para nós», revela o director da empresa americana. E adianta ainda que a sua estratégia passa pela aquisição de marcas europeias e pela sua integração na estrutura de distribuição da Mexx para reforçar os negócios da Liz Claiborne neste mercado.