O terceiro congresso de logística têxtil promovido pela TextilWirtschaft e pelo DVZ (jornal alemão de logística), em Junho, tornou claro que a relevância da logística no sector do vestuário é cada vez maior. As mais recentes estratégias e tendências na área de serviços de fornecimento, distribuição, logística e gestão da cadeia de fornecimento foram discutidas por cerca de 150 especialistas do campo da logística, tecnologias da informação, indústria têxtil e comércio. Onze empresas apresentaram os seus serviços e produtos para o sector. Um tema central nas exposições foi o controlo da qualidade, pedra essencial da cadeia do fornecimento têxtil e a sua optimização e integração na cadeia de valor acrescido, sem esquecer o desafio da globalização.
Velocidade, Velocidade, Velocidade Verticalização mas também semi-verticalização só é possível através de uma cadeia de fornecimento bem elaborada. «No nosso caso o tópico cadeia de fornecimento é tão importante como os temas design e distribuição», afirma Guido Dohm, responsável pelas compras, licenças e gestão da cadeia de fornecimento da Tom Tailor. A Tom Tailor leva cerca de doze colecções por ano às lojas. «A nossa tarefa principal é trazer a colecção para a rua o mais depressa possível», esclarece Dohm. «Velocidade, velocidade, velocidade». Esta é uma exigência dos nossos clientes. A rapidez é o factor decisivo de sucesso para quem opera em diferentes superfícies. «Honestamente, as colecções não são assim tão diferentes de marca para marca». Uma boa colecção pode não obter sucesso se o factor Tempo não for devidamente considerado. É necessário associar ao Tempo a transparência de informação em toda a cadeia de valor acrescido. O ponto da situação deve estar disponível a cada membro da cadeia de fornecimento. «Neste ponto exerce-se pressão sobre os fornecedores. Se não cumprirem a nossa data de entrega não podem ser fornecedores da Tom Tailor». Os peritos em sistemas de informação chegaram a adoptar um sistema de integração da gestão da cadeia de fornecimento, mas sem grande sucesso. O sistema RFID não constitui nesta altura uma questão para a Tom Tailor. «Primeiro temos de controlar o NVE (número de envios)». Outro tema importante para este grupo é a diminuição de stocks. «O excesso de stocks é para nós um erro evidente de planeamento. Stock é a palavra não para nós no ano de 2005». A colecção da época não deve ser guardada, mas totalmente comercializada. Até 2006 a área de stock da Tom Tailor deverá ser reduzido para cerca de 12 000 metros quadrados. Uma outra tarefa para o futuro próximo é a focalização em mercados importantes de fornecimento. «Os fornecedores vão ser cuidadosamente escolhidos por nós e, entre outras medidas, a inspecção final do artigo deverá ser feita no pais de fornecimento e não na Alemanha. Pontualidade antes da Rapidez Segundo Harald Gerking da Woolworth, a forma de operar de um armazém de preços baixos é completamente diferente, «a pontualidade está à frente da rapidez». A rapidez é em regra para os armazéns demasiado cara uma vez que o preço médio por artigo na loja se situa nos 4 euros. «Para a pontualidade só é necessária ordem e disciplina», afirma o director da gestão da cadeia de fornecimento da empresa de Frankfurt. Para possíveis atrasos estão definidos outros recursos. Se houver necessidade pode utilizar-se um navio mais rápido ou mesmo um TIR para entregar os artigos no armazém central em Bonna. Como última solução, mas devido ao custo elevado raramente utilizada, temos os serviços de entrega expresso. ‘Processos magros’ é o segundo mote através do qual se fez a optimização da cadeia de entrega na Woolworth desde 2002. A organização de toda a cadeia de fornecimento, que se estende da rampa de início dos fornecedores até à exposição na loja, segue o princípio de gestão japonês Kaizen, anteriormente denominado por nós de ‘melhoria contínua do conceito’. A Woolworth não tem de funcionar como uma loja de moda, afirma Gerdink, não existindo tanta pressão relativamente ao tempo. Com base num sistema de localização do envio da EANCOM-Standard observa-se o fluxo dos artigos. A reposição de artigos na loja é feita com base nas peças e não na totalidade de embalagens. Desta forma conseguiu-se num ano e meio diminuir os stocks quase para metade, afirma Gerking. Consequentemente os custos com a logística baixaram e os artigos de cruzeta na Woolworth passaram a representar apenas 3 por cento de todos os outros artigos. «Nós queremos melhorar o caminho adoptado: procuramos sempre melhorar e questionar sempre as nossas práticas». Houve ainda a apresentação conjunta de Ansgar Lohman, Steilmann e Ralf Düster, director executivo da Setlog, sobre a relevância de standards numa cadeia de fornecimento global, com o título Fornecimento apoiado em tecnologias de informação para obter baixos custos e respeitar especificações de qualidade, dando como exemplo a Marks & Spencer. A empresa de software Setlog especializou-se nas soluções de gestão de cadeia de fornecimento. Nesta área utiliza-se cada vez mais o sistema denominado Event Management System. Uma intervenção na cadeia de valor acrescido só resulta quando as operações são realizadas tendo regras pré-definidas. Uma das perguntas-chave era, «Onde está a saia?», que foi utilizada como sinónimo do controle de todas as fases da cadeia de valor acrescido. A Steilmann trabalha desde 2003 com a ferramenta de gestão da cadeia de fornecimnto da Softwareschmiede, explica Lohnmann. Um dos clientes mais importantes da Steilmann é a Marks & Spencer. O retalhista britânico impões regras rígidas aos seus fornecedores, afirma Lohmann. A utilização de uma ferramenta de gestão da cadeia de fornecimento resultou em «poupanças muito significativas». A utilização do software da Setlog levou a uma melhoria da qualidade e por conseguinte a uma optimização da relação fornecedor-cliente, assim como à redução de custos de envio (armazenamento e tarifas). No final produtores e comerciantes deverão também saber onde está a saia e a localização ideal seria onde pertence: vestindo a cliente. Controlo da qualidade na fonte Num mundo cada vez mais global a optimização da cadeia de fornecimento tem de passar a incluir cada vez mais “O controlo da qualidade no país de fabrico”, título da apresentação de Wilfried Holtgrave, director executivo da WKS Acabamentos Têxteis. Também ele, como todos os outros oradores sublinhou, que a cadeia têxtil de valor acrescido está cada vez mais complexa. Na opinião de Holtgrave os processos distribuídos globalmente só poderão funcionar através de parcerias. A complexidade crescente dos tempos actuais tem implicações claras no controlo da qualidade. O aspecto mais importante: o controlo da qualidade tem de ser cada vez mais realizado no país de produção. A WKS já tem experiência nesta situação e já há mais de dez anos que o controlo de qualidade de tecidos e peças finais é feito em Itália. Estamos por isso a construir uma infra-estrutura para um controlo sistemático da qualidade na China. Tendo em vista este objectivo fundamos a joint-venture WKS China com a empresa de logística Hellmann & Meyer para «integrar os serviços dos parceiros e eliminar as até aí existentes falhas na qualidade no local de produção». O objectivo é iniciar o mais cedo possível a certificação da qualidade na cadeia de fornecimento. Actualmente são reparadas mais de 187 000 peças na Alemanha, «com instrumentos rudimentares de certificação da qualidade no próprio local de produção podemos diminuir os custos que daí derivam». Uma vez que não existe um standard de qualide válido internacionalmente seria muito importante definir um, «um controlo de qualidade eficaz não é possível sem um standard previamente definido». Também igualmente importante, de acordo com Holtgrave, é o fluxo de informação, visto que «problemas de coordenação na cadeia de fornecimento travam muitas vezes o resto do processo». Para integrar de forma razoável a certificação de qualidade na cadeia de valor acrescido é indispensável a adopção de uma plataforma de sistemas de informação. O Event Management parece ser o mais razoável, mas também lhe foram apontadas alguns erros críticos. Se for possível uma ligação entre o sistema de controlo de mercadoria e o cliente torna-se possível uma maior flexibilidade e qualidade de informação no sistema. O resultado final consiste numa rentabilização de tempo e eficiência, resume Holtgrave. Controlo de qualidade em todas as fases Após os comentários à apresentação de Wilfried Holtgrave seguiu-se a apresentação de Jörn Gehring, director executivo da Prodata Software, com o título Controlo de qualidade no fluxo internacional de artigos. Sublinhou a necessidade do controlo de qualidade em cada fase da cadeia de fornecimento. «Quem só o fizer no final tem um problema». Também no seu ponto de vista é igualmente necessária uma transparência total desde a matéria-prima até ao artigo vendido. Sobre o tema controlo de qualidade era anteriormente válido o mote, «Velocidade, Velocidade, Velocidade», afirma Gehring. Os requisitos associados a uma plataforma de tecnologias de informação são complexos. Têm de recolher informação, associá-la e filtrá-la. Os problemas devem ser identificados na origem, e para além disto, deverá ser possível aconselhar soluções para cada fase. Como resultado da eminente globalização é necessário estar disponível uma plataforma nesta área independentemente da localização. Na Prodata, e não apenas no caso das ferramentas de certificação da qualidade, temos um sistema baseado na Web direccionado para as diferentes utilizações na área da gestão da cadeia de fornecimento. O outsourcing do controlo da qualidade num fornecedor de serviços de logística basear-se-á na opinião de Gehring, na continuidade. O tema outsourcing também foi um tema central da apresentação de Rudolf Loewen, director executivo da Access Têxtil, em Wuppertal. Loewen mostrou-se confiante em relação ao facto de o outsourcing beneficiar com os elementos do fornecimento e da logística dos produtores de vestuário. Esta tendência crescente já se verificou na indústria automóvel, uma vez que 70 a 90 por cento dos componentes já não são produzidos pelo próprio produtor. Estes concentram-se na sua competência principal: o design e desenvolvimento de automóveis e também na sua comercialização e distribuição. Os fornecedores de serviços especializados estão na posição de a qualquer momento apresentar uma oferta alternativa. Por sua vez, o produtor muitas vezes não tem condições de se aproximar do mercado desta forma. Os custos processuais e administrativos mais reduzidos constituem mais uma razão para entregar os serviços de logística e fornecimento a fornecedores de serviços. Loewen expressou a sua concordância no que diz respeito à necessidade inquestionável de um fluxo de informação permanente e ininterrupto. Processos Sincronizados O significado da presença de estruturas de tecnologias de informação em todas as fases da cadeia de fornecimento fez parte da contribuição Sincronizar os processos de comércio na distribuição têxtil de Martin Wilke, da UPS. «A UPS investe biliões de dólares nas tecnologias de informação». O grupo cresceu com os serviços Kurrier, Express e Paket. «Simultaneamente a UPS adoptou o sistema de serviços na área da gestão da cadeia de fornecimento», afirma Wilke. O fluxo complexo de artigos, informações e capital em cadeia de fornecimento globais presume a sincronização optimizada de todos os elementos envolvidos. As tarefas de um perito de serviços de logística não terminam no transporte dos artigos de um centro de distribuição para as lojas. Existem algumas situações em que é necessário a troca de artigos entre lojas para ir de encontro às necessidades do consumidor. A presença deste serviço na cadeia de valor acrescido necessita de uma infra-estrutura optimizada, afirma Wilke. O terceiro congresso de logística têxtil tornou claro que a cadeia de fornecimento inclui inúmeros processos interligados. A oferta de serviços também na área têxtil tem de se centrar mais nos clientes e no que estes querem. Alguns querem Velocidade, outros preocupam-se com os custos e privilegiam a Pontualidade. No entanto, nenhum dos envolvidos abdica da Qualidade.











